Antes de ser conhecido como mestre na fabricação de instrumentos tradicionais de Okinawa, o japonês Sensei Hanshin Oshiro construiu a vida como marceneiro em Campo Grande. Foi trabalhando com madeira que ele descobriu um novo caminho e passou a fabricar taikos e sanshin, instrumentos que levaram o seu nome para todo o País.
A história do artesão foi resgatada durante um workshop sobre música e cultura de Okinawa realizado na Capital de Mato Grosso do Sul. A atividade integrou o projeto “Taiko, despertar da música do Sol Nascente em Campo Grande”, que buscou aproximar essa rica tradição oriental da comunidade campo-grandense.
Filho de Hanshin, Aldo Hanshin Oshiro relata que o pai chegou ao Brasil em 1937 para trabalhar na lavoura de café, antes de se fixar em Campo Grande e atuar na marcenaria. Foi nessa profissão que ele desenvolveu a habilidade e o domínio sobre a matéria-prima que mais tarde o tornariam uma referência nacional na confecção dos tambores.
O artesão não se limitava a reproduzir cópias exatas do que conhecia no Japão; ele adaptava os materiais disponíveis no Brasil. Para montar o corpo do taiko, utilizava madeira caxeta em formato de gomos encaixados. A pele de couro de vaca cru passava por um rigoroso processo de molho e modelagem direta, enquanto os pinos e tachinhas recebiam tratamento especial para resistirem à forte vibração da execução.
Os instrumentos produzidos em solo sul-mato-grossense passaram a abastecer músicos em estados como São Paulo, Paraná e no Distrito Federal, além de alcançarem reconhecimento na própria província de Okinawa. Além de confeccionador, Hanshin atuou como mestre e ensinou diversos alunos, deixando um legado duradouro de preservação cultural.
A família e os organizadores do projeto cultural agora buscam registrar formalmente essa trajetória para que a memória do mestre — falecido aos 92 anos — continue viva. Através de iniciativas como o workshop ministrado por seu último aluno, a arte e a sonoridade dos instrumentos tradicionais seguem ecoando e conquistando novas gerações fora da comunidade descendente.
Fonte: www.campograndenews.com.br
