
Um estudo divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (16) revelou que 20% dos adolescentes de 16 e 17 anos em situação de trabalho infantil não frequentavam a sala de aula em 2025. O percentual de frequência escolar entre esses jovens ficou em 79,6%, enquanto a média geral para a mesma faixa etária na população brasileira atingiu 89,6%.
A diferença de dez pontos percentuais é a maior registrada entre os grupos etários avaliados pela PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). Considerando todas as idades mapeadas, de 5 a 17 anos, a taxa de escolarização entre os menores em trabalho infantil foi de 86,9%, frente a 97,5% da população total correspondente.
Jornadas extensas e informalidade
O levantamento apontou que 21,4% das crianças e adolescentes nessa condição cumpriam jornadas semanais de 40 horas ou mais. Na faixa etária de 16 a 17 anos, esse patamar subiu para 29,6%, com outros 20% dedicando de 25 a 39 horas por semana às atividades.
A remuneração média mensal do grupo foi calculada em R$ 936. Entre os adolescentes de 16 e 17 anos que exerciam atividade econômica, 67%, o equivalente a 705 mil pessoas, encontravam-se na informalidade.
Ocupações perigosas e setores
A pesquisa identificou ainda 525 mil indivíduos de 5 a 17 anos exercendo atividades integradas na Lista TIP (Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil), grupo que abrange ocupações prejudiciais à saúde, à segurança ou ao desenvolvimento. O total representa 36,2% dos 1,45 milhão de ocupados nessa faixa etária em 2025, configurando o menor patamar da série histórica iniciada em 2016.
Em relação aos setores econômicos, o comércio e a reparação de veículos concentraram 29% da mão de obra infantil principal. A agropecuária, produção florestal, pesca e aquicultura representaram 16,7%, a indústria somou 12,5% e os serviços de alojamento e alimentação atingiram 12,2%.
