O Ministério da Justiça e Segurança Pública anunciou nesta quarta-feira (28) a abertura de investigações sobre episódios de violência política registrados no país após o segundo turno das eleições. O levantamento oficial aponta que Mato Grosso do Sul ocupa a terceira posição entre os estados com o maior número de notificações de agressões, ameaças e intimidações.
Panorama nacional e atuação das autoridades
Entre os dias 24 e 28 de novembro, o monitoramento contabilizou 45 crimes de motivação política, resultando em 47 vítimas e dez óbitos, sendo três deles de indígenas. Paraná e São Paulo encabeçam a lista de registros, seguidos por Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina.
As apurações estão a cargo da Polícia Federal, com o suporte da Procuradoria-Geral da República. Segundo o secretário-executivo do MJSP, Ademar Borges, o mapeamento abrange desde crimes eleitorais até casos de violência política de gênero, cuja competência de investigação e processamento é federal.
Ocorrências em Mato Grosso do Sul
No estado, o final de semana eleitoral foi marcado por diferentes episódios de violência. Em Bonito, uma briga durante uma carreata resultou na morte de Ewerton Rodrigues da Silva e deixou outro homem ferido na noite de sábado (24), embora o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul tenha informado que o caso não teve conexão com as eleições. Na mesma data, em Corumbá, um homem de 50 anos foi baleado durante uma caravana política.
No domingo (25), um homem e uma mulher que estavam em um veículo com bandeiras do PT foram atacados por um indivíduo nos altos da Avenida Afonso Pena, em Campo Grande. O para-brisa do carro foi danificado e o motorista acabou agredido e derrubado no asfalto durante a concentração de apoiadores.
Ameaças a comunidades indígenas
O estado também registrou ameaças contra populações indígenas em municípios como Tacuru, Amambai, Naviraí e Sidrolândia. Em Tacuru, áudios divulgados pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil mostraram dois homens sugerindo o envenenamento da água consumida pelas comunidades locais.
Diante da gravidade da denúncia, o Ministério dos Povos Indígenas encaminhou uma nota técnica à Polícia Federal para subsidiar as investigações sobre as ameaças e coações direcionadas aos povos originários na região.
