Um relatório da Polícia Federal (PF), tornado público na noite de uma quinta-feira, revelou detalhes de conversas mantidas por meio do aplicativo WhatsApp entre o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o empresário Daniel Vorcaro. O documento faz parte do inquérito principal do caso Master, investigação que apura a venda de carteiras fraudulentas para a instituição financeira pública.
De acordo com os registros obtidos pelos investigadores, em abril de 2025, Paulo Henrique comentou sobre o desejo de visitar a sede do extinto Banco Master, localizada em São Paulo. Em resposta, Vorcaro incentivou a visita e afirmou para que ele se sentisse como se o banco fosse seu, ao que o então presidente do BRB respondeu enfaticamente que a instituição nunca deixaria de ser de Vorcaro.
Para a Polícia Federal, as expressões utilizadas nas mensagens demonstram o compromisso de Paulo Henrique em atender aos interesses de Vorcaro, garantindo que o controle fático do Banco Master permaneceria com o empresário, mesmo após a concretização de um negócio de aquisição que acabou sendo barrado pelo Banco Central no ano passado.
O material apreendido e analisado pela PF também detalha tratativas sobre imóveis de luxo que seriam repassados como propina, além do planejamento estratégico do negócio. Em janeiro de 2025, Paulo Henrique enviou um acordo de confidencialidade e sugeriu que o projeto de compra fosse batizado de ‘Vértice’, recebendo de Vorcaro a alcunha de ‘capitão’ da empreitada.
As investigações conduzidas no âmbito da Operação Compliance Zero apontam ainda que o BRB adquiriu do Master carteiras de crédito sem lastro, gerando contradições em depoimentos e acareações entre os investigados. Atualmente, Paulo Henrique Costa cumpre prisão preventiva, enquanto o processo segue sob a relatoria do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
O inquérito também aponta menções a articulações políticas ligadas ao processo de compra, incluindo referências a pedidos de material explicativo feito pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, para lidar com possíveis críticas à operação de aquisição do banco privado pelo BRB.
Fonte: g1.globo.com
