Após o forte temporal que atingiu Campo Grande, deixando diversos bairros sem energia elétrica e causando estragos materiais, donos de restaurantes recorreram à criatividade e à ajuda de amigos para atenuar os prejuízos e conseguir abrir as portas. A falta de luz afetou não apenas a refrigeração dos alimentos, mas também o atendimento local, a internet e o funcionamento das máquinas de cartão.
Em uma churrascaria e buffet localizada na Avenida Afonso Pena, no bairro Amambai, a solução encontrada foi adotar uma operação totalmente manual. Sem energia para manter a mesa fria de saladas, o estabelecimento adaptou o buffet para servir apenas pratos quentes, que foram mantidos aquecidos com água fervida no fogão a gás. Os freezers desligados deixaram bebidas como refrigerantes e cervejas quentes, enquanto a paralisação da internet impediu o uso de aplicativos de entrega e de máquinas de cartão, restando apenas o pagamento em dinheiro vivo e anotações em papel.
A incerteza sobre o retorno da eletricidade também travou o planejamento de compras da semana. Os comerciantes relataram a dificuldade de adquirir novos insumos sem saber onde armazená-los adequadamente para o movimento do final de semana. A churrascaria estima que os prejuízos possam chegar a R$ 30 mil caso o fornecimento de energia demore a ser restabelecido.
Já em um restaurante especializado em frango caipira situado no bairro Santa Maria, próximo ao Aeroporto Internacional, o vendaval provocou danos estruturais severos. As rajadas de vento arrancaram o telhado do prédio, gerando prejuízos estimados em R$ 12 mil apenas na cobertura. Sem gerador e com a fiação exposta, a equipe cobriu os equipamentos com sacos de lixo para protegê-los de intempéries.
Para salvar o estoque de carnes, o responsável pelo local recorreu à solidariedade, transportando os alimentos em uma caminhonete para distribuí-los em freezers de estabelecimentos parceiros na região. O que já estava preparado para o almoço acabou sendo consumido pelos próprios funcionários para evitar o desperdício. Os proprietários, que estavam em viagem de férias em Maceió, anteciparam o retorno para a Capital para comandar o mutirão de reconstrução.
A situação de improviso se repete em pequenos negócios da cidade. No bairro Vila Eliane, uma proprietária de restaurante de comida caseira precisou adotar a venda fiada como única alternativa para escoar os alimentos que começavam a descongelar nos freezers desligados. Sem conseguir operar máquinas de cartão ou vender bebidas geladas, os comerciantes locais seguem buscando alternativas para minimizar o impacto financeiro do temporal.
Fonte: www.campograndenews.com.br
