O Supremo Tribunal Federal (STF) viveu uma série de episódios de forte tensão institucional marcada por uma intensa troca de ofícios e farpas públicas entre ministros da Corte. A crise envolve divergências diretas sobre a condução de inquéritos, o acesso a mídias de investigação e a retirada de sigilos de documentos ligados ao chamado caso Master, gerando um ambiente de forte atrito interno.
Perto do meio-dia, o ministro Alexandre de Moraes encaminhou um ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, no qual criticou duramente o que chamou de “escolha seletiva” na retirada do sigilo de procedimentos por parte do ministro André Mendonça. Segundo Moraes, a medida adotada por seu colega teria o objetivo de proteger um determinado grupo político.
A controvérsia ganhou novos contornos quando a Procuradoria-Geral da República (PGR) acionou a presidência da Corte solicitando a liberação integral de todos os documentos vinculados ao caso. A PGR argumentou no pedido que a abertura apenas parcial de arquivos poderia induzir a opinião pública e os órgãos de controle a uma ideia equivocada de transparência.
Atendendo ao pleito da Procuradoria-Geral da República, o presidente Edson Fachin determinou um prazo de 24 horas para que o ministro André Mendonça, relator dos procedimentos, promovesse a liberação de toda a documentação sob sua tutela. Em resposta, Mendonça negou veementemente qualquer parcialidade ou retirada seletiva, justificando que suas ações visavam resguardar investigações ainda em andamento e proteger dados pessoais de investigados.
Paralelamente, os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin protocolaram ofícios adicionais exigindo o acesso imediato a uma mídia específica apreendida durante as apurações. De acordo com eles, o material digital seria absolutamente indispensável para aprofundar as discussões e embasar os debates na sessão do plenário marcada para a próxima terça-feira.
No âmbito das diligências, Mendonça esclareceu que o aparelho celular de Daniel Vorcaro, alvo das apurações, não está sob custódia física em seu gabinete, mas sim guardado pela Polícia Federal, restando em seu poder apenas uma cópia de segurança criptografada. No início da noite, o relator acabou cedendo integralmente às demandas da PGR e retirou o sigilo de 18 processos do caso Master, além de outros 20 procedimentos conexos, incluindo nomes de figuras políticas de projeção nacional.
Fonte: g1.globo.com
