×

O que é possível aprender com cidades que incluíram crianças em seus planejamentos urbanos

O que é possível aprender com cidades que incluíram crianças em seus planejamentos urbanos

Adolescente aprende menos quando precisa acordar cedo para ir à escola?

Estudos têm mostrado que atrasar em uma hora o início das aulas pode trazer impactos positivos. Crédito: edição: Amanda Dantas

Uma cidade amigável para crianças será certamente mais acolhedora para todos. Esse é o cerne do livro Cidades que abraçam infâncias, da jornalista Regina Cirne, especialista em infância e educação, que será lançado neste sábado, 30, na livraria Cabeceira, na Vila Romana, zona oeste de São Paulo, a partir das 16h. O livro apresenta iniciativas positivas em diferentes Estados para tornar os centros urbanos mais acolhedores aos menores e, consequentemente, à população de forma geral.

Bebês e crianças e o adulto que as acompanha – uma mulher na enorme maioria das vezes – são igualmente impactadas pelos desenhos das ruas, o tempo dos sinais de trânsito, a ausência de um mobiliário urbano confortável (como bancos e coberturas adequadas nos pontos de espera de transporte), a falta de traçados que protejam quem está a pé.

 O que é possível aprender com cidades que incluíram crianças em seus planejamentos urbanos

Programa Mais Vida nos Morros, em Recife, coloriu as casas das comunidades mais pobres. Foto: Andréa Rêgo Barros

Como explica a autora, bebês, crianças, gestantes e cuidadoras (mulheres em sua maioria) têm ritmos próprios, demandas específicas e precisam de conforto e segurança em seus deslocamentos pelas cidades. Embora a Constituição brasileira garanta que a criança é “prioridade absoluta”, o ir e vir nos centros urbanos tem sido desafiador para muitas famílias.

“Os centros urbanos, principalmente em países de baixa renda e alta desigualdade social, são hostis e priorizam o fluxo rodoviário”, afirmou a jornalista. “As cidades se tornaram ambientes de passagem e não mais espaços de convivência.”

Um problema e tanto, se levarmos em conta que nada menos que 87% da população brasileira vive em áreas urbanas – uma porcentagem muito mais alta do que a média mundial, que é de 56%.

A infraestrutura das ruas, os tempos de deslocamento, a qualidade das calçadas, a ausência de praças próximas e a poluição são alguns dos maiores obstáculos. Segundo a jornalista, um ambiente urbano hostil e desrespeitoso provoca mortes e problemas de saúde física e mental. Porém, explica, se intervenções forem feitas considerando os mais vulneráveis, as cidades se tornam ambientes muito menos hostis para todos.

“Velocidade máxima permitida, tempo para atravessar avenidas a pé, praças no bairro geram um efeito importante no cotidiano das famílias”, explicou a jornalista. “As experiências no território em que se vive moldarão a percepção do mundo e as relações humanas futuras. Há soluções possíveis a baixo e médio custo. É possível se inspirar e replicar.”

O livro cita experiências positivas em quatro cidades – Jundiaí (SP), Boa Vista (RR), Recife (PE) e Medellín, na Colômbia – que têm tornado as áreas em torno das escolas mais acolhedoras, promovendo encontros e estimulando passeios a pé pelos bairros. São iniciativas simples, como pintar casas de comunidades, oferecer abrigo para quem espera o transporte público, reduzir a velocidade permitida dos carros nos arredores de escolas, oferecer bancos para os pedestres.

“A gestão tem que atuar para demover obstáculos, facilitar o dia a dia, propiciar efetivamente o acesso”, concluiu Regina.

Share this content:

Publicar comentário