A percepção diante de obras de arte consagradas, como pinturas históricas ou paisagens tradicionais, desperta reações profundas que frequentemente parecem difíceis de explicar em palavras. Esse fenômeno intrigante intriga estudiosos há gerações, alimentando o campo da neuroestética, disciplina dedicada a investigar de que maneira o cérebro humano processa estímulos artísticos e define o conceito de beleza.
Em uma pesquisa recente publicada na revista científica Nature Communications, especialistas buscaram mapear essa experiência coletiva e compreender os mecanismos cerebrais envolvidos. O estudo demonstrou que o cérebro humano não processa a beleza como uma entidade única, dividindo a experiência estética em duas vertentes principais e complementares.
A primeira vertente está associada ao reconhecimento visual do conteúdo retratado na imagem, independentemente de se tratar de uma figura humana, um objeto ou uma paisagem natural. A segunda vertente analisa o nível de prazer proporcionado pela obra, acionando diretamente os mesmos circuitos neurais que respondem a estímulos prazerosos como comida e dinheiro.
Para chegar a esses resultados, os pesquisadores conduziram testes com voluntários submetidos a exames de ressonância magnética de alta potência enquanto observavam pinturas tradicionais. Em seguida, os cientistas aplicaram algoritmos semelhantes aos utilizados por plataformas de streaming para identificar padrões ocultos nas preferências estéticas dos participantes.
Os dados revelaram que, embora ambas as dimensões atuem em conjunto na apreciação artística, o cérebro mantém o conteúdo visual e o valor hedônico separados. Enquanto as vias visuais processam o formato e a composição, regiões mais profundas do encéfalo decodificam a sensação de recompensa e o valor emocional atribuído à obra.
Além disso, o estudo apontou que a intensidade dessa codificação cerebral varia conforme a familiaridade e o treinamento do indivíduo com as artes visuais, sugerindo que a educação artística tem o potencial de remodelar a forma como a percepção e as emoções se conectam.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
