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Política foi a grande estrela das premiações do Festival de Veneza

A edição de 2026 do Festival de Veneza destacou produções com fortes contornos políticos e sociais, premiando longas que abordam conflitos históricos, questões trabalhistas e conjunturas internacionais.

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Política foi a grande estrela das premiações do Festival de Veneza

A edição deste ano do tradicional Festival de Veneza teve como grande destaque a forte presença de temáticas políticas e sociais nas premiações do Lido. Entre os longas que disputavam a competição principal, o grande vencedor do Leão de Ouro foi o drama dinamarquês “Woman Unknown”, dirigido por May el-Thouky e avaliado por um júri presidido pela atriz americana Maggie Gyllenhaal. A escolha de um filme com direção solo feminina em meio a um grupo predominantemente masculino foi vista como um claro posicionamento crítico do júri em relação à indústria cinematográfica.

A trama de “Woman Unknown” acompanha uma mulher de origens proletárias que se casa com seu antigo patrão, mas vê sua estabilidade ameaçada quando um homem ameaça revelar seu passado secreto durante a Segunda Guerra Mundial, período em que viveu um romance com um nazista. O longa também rendeu a Coppa Volpi de melhor atriz para Mathilde Arcel, destacando-se pela sensibilidade ao expor o pavor da protagonista diante do risco de punições sociais específicas reservadas às mulheres.

Outro destaque da premiação foi o documentário “Naza”, dos israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor, que levou o prêmio especial do júri. A produção aborda de maneira incisiva o assassinato deliberado de civis em Gaza por forças de segurança de Israel, contando com depoimentos desconcertantes de participantes de operações do governo de Binyamin Netanyahu. Já Ilya Khrzhanovsky foi laureado como melhor diretor por “Dau”, encerrando um ambicioso projeto de duas décadas que reconstrói o ambiente opressor da União Soviética.

As complexidades do mundo do trabalho contemporâneo também ocuparam espaço de destaque no festival. O sul-coreano Lee Chang-dong recebeu o Grande Prêmio do Júri por “Possible Love”, que examina as agruras econômicas e as relações de poder em meio ao desemprego. Na mesma linha, o francês “Un Bon Petit Soldat”, de Stéphane Brizé, conquistou o prêmio de melhor roteiro ao expor as pressões corporativas enfrentadas por uma diretora de RH dividida entre ordens de superiores e sua própria humanidade.

No quesito atuações masculinas, o ator John Malkovich foi consagrado com o prêmio de melhor ator por sua performance no filme britânico “Cavalo Selvagem Nove”, dirigido por Martin McDonagh. Na trama ambientada no Chile às vésperas da queda de Salvador Allende, Malkovich interpreta um agente da CIA encarregado de defender os interesses dos Estados Unidos, reforçando o tom político que marcou as principais escolhas do festival italiano.

Diante de uma passagem discreta de produções puramente hollywoodianas, o balanço final da edição de 2026 do Festival de Veneza demonstrou que as narrativas de cunho político, histórico e social dominaram as telas e as principais premiações do evento cinematográfico europeu.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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