A Polícia Civil de São Paulo tenta obter desde maio o acesso aos dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) referentes a Karina Ferreira da Gama. Ela é a empresária responsável pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) e sócia da produtora Go Up Entertainment, empresa encarregada da realização do filme “Dark Horse”, que consiste em uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação em curso busca apurar se recursos de origem pública que foram destinados ao ICB acabaram sendo repassados para a produtora cinematográfica. Desde o mês de maio deste ano, as autoridades policiais apresentaram pelo menos quatro pedidos formais com o objetivo de ter acesso aos relatórios de inteligência financeira, mas as solicitações não haviam sido atendidas pela Justiça paulista até então.
Neste domingo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou a retirada do sigilo do caso e autorizou o acesso às informações financeiras. Com a decisão, os investigadores poderão analisar o histórico detalhado das transações bancárias da empresária e da organização social envolvida na apuração.
O inquérito policial aponta que Karina, única sócia da Go Up Entertainment, iniciou a produção do longa-metragem gravado em inglês, contando com direção e elenco vindos de Hollywood. O custo total do projeto cinematográfico foi estimado em valores que variam entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões, sem que a origem do financiamento privado tenha sido devidamente esclarecida.
Os investigadores sustentam haver suspeitas concretas de desvio de recursos públicos originados do programa municipal WiFi Livre SP para custear as atividades de produção do filme. Há indícios de que contas de empresas subcontratadas e de outras organizações sociais administradas pela empresária teriam sido utilizadas para ocultar a origem dos valores e lavar o dinheiro.
Em manifestações enviadas à Justiça ao longo dos últimos meses, a polícia reforçou a necessidade dos dados do Coaf para esclarecer o fluxo financeiro. Embora a defesa da empresária tenha considerado positiva a decisão de levantar o sigilo para que os fatos sejam examinados de forma objetiva, o inquérito segue avançando para apurar as irregularidades apontadas no caso.
Fonte: g1.globo.com
