A decisão recente do ministro Flávio Dino de retirar o sigilo dos materiais da Polícia Civil de São Paulo referentes ao financiamento do filme ‘Dark Horse’ e encaminhar o conteúdo à Polícia Federal devolveu o foco ao chamado caso Banco Master na campanha do candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL).
Desde o mês de maio, o episódio figura como um dos principais desafios da candidatura, período em que veio à tona um áudio no qual o senador solicita recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção da cinebiografia de seu pai. Os desdobramentos recentes indicam que o parlamentar já era investigado por supostas irregularidades na captação do filme.
Dados coletados por ferramentas de inteligência de narrativas em mais de cem mil grupos públicos de aplicativos de mensagens, além de debates nas plataformas X e Instagram, revelam que a maior parte do fluxo informacional restringe-se ao simples encaminhamento de notícias secas, sem aprofundamento do mérito.
Entre a fatia do público que efetivamente debate a situação, a leitura predominante é de que o avanço das apurações representa um fato novo com potencial impacto eleitoral negativo. Contudo, o comportamento de disseminação em massa apresenta forte padrão de disparo unilateral, assemelhando-se à atuação de robôs ou militância digital organizada.
Um dos pontos de maior alerta no monitoramento diz respeito ao surgimento de mensagens que tentam vincular o nome de Flávio Bolsonaro ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A menção à facção criminosa surgiu a partir de uma linha secundária da investigação que alcança uma empresa subcontratada por uma entidade ligada à produtora, e não ao candidato diretamente.
Apesar de não haver confirmação de envolvimento direto do político com essa vertente da apuração, o termo passou a circular amplamente nas redes sociais com teor majoritariamente crítico. Para a campanha, embora o volume de menções tenha superado o pico do escândalo dos áudios originais, o principal desafio reside no fato de que associações não verificadas tendem a se fixar rapidamente no imaginário popular.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
