A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada nesta terça-feira (15) foi marcada por momentos de tensão, bate-bocas, divergências regimentais e também por manifestações de camaradagem nos bastidores. A pauta incluiu a análise do relatório da Polícia Federal (PF) sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Marcada inicialmente para as 10h, a sessão começou com 22 minutos de atraso e foi aberta pelo presidente da corte, ministro Edson Fachin, que afirmou não ter o direito de entregar um STF menor do que aquele que recebeu. O ministro Alexandre de Moraes, alvo do relatório em questão, permaneceu a maior parte do tempo focado em seu celular, digitando.
Durante a leitura do relatório por Fachin, o plenário registrou diversas movimentações paralelas. Enquanto André Mendonça — que havia solicitado o documento à PF — fazia anotações, os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli conversavam e discutiam um documento. Perto dali, Moraes e Flávio Dino interagiram em vários momentos, ignorando Mendonça, que se senta entre os dois.
Do outro lado do plenário, onde se posicionam Luiz Fux, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e Kássio Nunes Marques, o clima foi de total silêncio, sem troca de palavras entre os magistrados. Até a suspensão temporária, Zanin e Cármen Lúcia foram os únicos que não se manifestaram publicamente.
O clima esquentou quando Dias Toffoli explicou os motivos pelos quais não votaria no julgamento. A partir daí, Dino e Fachin divergiram sobre o regimento interno do tribunal, elevando a tensão no plenário e atraindo a atenção de Gilmar e Toffoli, que se inclinaram para acompanhar a discussão. Logo após concluir seu raciocínio, Toffoli recebeu um bilhete enviado por um colega através de seu assistente pessoal.
Outros momentos de atrito envolveram trocas de olhares e contestações diretas, como quando Mendonça mencionou a existência de uma suposta “PF paralela” e foi fitado por Moraes, ou quando Gilmar Mendes criticou a relatoria de Mendonça, gerando forte abano de cabeça em sinal de discordância. No entanto, após a suspensão temporária decretada por Fachin, o tom mudou: Gilmar e Moraes deixaram o plenário conversando amigavelmente, e Dino se levantou para dar um abraço de reconciliação em Fachin, saindo juntos na sequência.
Fonte: g1.globo.com
