Últimas notícias
BRASIL

Sessão no STF tem bate-boca e ofensas entre ministros, de ‘aprendiz de feiticeiro’ a ‘leviano’

Sessão histórica do Supremo Tribunal Federal nesta terça-feira (15) é marcada por intensas discussões, trocas de acusações e termos ríspidos entre magistrados durante análise de investigações.

Compartilhe: WhatsApp Facebook X
Sessão no STF tem bate-boca e ofensas entre ministros, de ‘aprendiz de feiticeiro’ a ‘leviano’

Uma sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada nesta terça-feira (15) foi marcada por momentos de forte tensão, bate-boca e trocas de ofensas pesadas entre ministros da mais alta corte do país. O encontro, que durou cerca de três horas em sua primeira parte antes de ser temporariamente interrompido, expôs as profundas divergências internas em meio à análise de casos sensíveis envolvendo autoridades e investigações em curso.

A abertura dos trabalhos foi conduzida pelo presidente do tribunal, Edson Fachin. Logo no início, a discussão escalou com o debate acerca da ligação do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, tema que colocou em pauta a possibilidade de investigações sobre a conduta de Moraes. O tom subiu rapidamente com o uso de expressões duras como “aprendiz de feiticeiro”, “leviano” e acusações mútuas de parcialidade.

Um dos momentos mais tensos ocorreu entre Alexandre de Moraes e o ministro André Mendonça, relator do caso Master. Moraes questionou a condução do processo e acusou o colega de atuar de forma parcial, chegando a desafiar a convocação de testemunhas e policiais para esclarecer reuniões passadas. Mendonça reagiu prontamente, interrompendo o interlocutor e classificando as declarações repetidas vezes como falsas.

A contenda verbal ganhou novos contornos com a intervenção do decano da corte, Gilmar Mendes, que criticou abertamente a atuação de Mendonça. Mendes apontou um suposto viés político-eleitoral nas decisões do relator, afirmando que a publicidade dada ao relatório coincidiu propositalmente com o período que antecede o feriado de 7 de setembro. Durante o discurso, o decano chamou o colega de “leviano”, gerando nova rodada de bate-boca e pedidos de respeito mútuo ao plenário.

Continuando suas críticas, Gilmar Mendes classificou as tentativas de arrastar o STF para disputas político-partidárias como uma manobra irresponsável, comparando os envolvidos a “aprendizes de feiticeiro”. O ministro também utilizou termos de cunho crítico para reprovar a condução e o afastamento de diretores de órgãos de persecução penal, elevando ainda mais a temperatura do plenário durante a sessão extraordinária.

Por sua vez, o ministro Flávio Dino também aproveitou o espaço para fazer severas ponderações sobre o cenário atual do sistema de justiça no Brasil. Sem citar nomes específicos, Dino declarou que o país vive um dos momentos mais complexos e questionáveis de seu Judiciário, alertando para os perigos de se adotar práticas de combate à corrupção que transgridam as normas constitucionais e abram margem para o autoritarismo nos tribunais.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Escrito por

admin