Durante uma sessão plenária extraordinária do Supremo Tribunal Federal realizada nesta terça-feira, os ministros Luiz Fux e André Mendonça levantaram graves questionamentos contra a conduta da Polícia Federal. O colegiado discute o caso envolvendo os diálogos atribuídos ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Em seu pronunciamento, Luiz Fux destacou sua trajetória de 16 anos na Suprema Corte e afirmou que jamais presenciou a instituição policial confrontar a autoridade de ministros do tribunal no país. O magistrado recordou episódicos anteriores, mencionando que o decano Gilmar Mendes já exigiu a demissão de um diretor da corporação em circunstâncias análogas.
Para Fux, a postura recente da corporação configurou uma anomalia com potencial para contaminar os julgamentos sobre fatos graves. O ministro também alertou para o risco de criação de uma estrutura voltada a ações de arapongagem contra integrantes do governo federal.
O magistrado enfatizou que nenhuma autoridade pode tolerar a existência de um órgão atuando em paralelo ao próprio Supremo ou desafiando ministros da mais alta corte do país. O clima de tensão predominou no plenário durante a análise do caso.
As discussões ganharam repercussão após o vazamento de conversas de Vorcaro horas antes do início formal do julgamento. Os registros contêm diálogos do ex-banqueiro com filhos de dois magistrados do tribunal — Luiz Fux e Kassio Nunes Marques — além de um advogado ligado ao ministro André Mendonça.
O material veio a público depois que o conteúdo do aparelho telefônico foi encaminhado aos gabinetes da corte, intensificando o debate jurídico e político nos bastidores do Poder Judiciário brasileiro.
Fonte: noticias.uol.com.br
