Permanecer horas sentado durante uma viagem longa pode ir muito além do desconforto, representando um risco real para o desenvolvimento de trombose. A trombose venosa profunda (TVP) é caracterizada pela formação de um coágulo, ou trombo, no interior de uma veia, o que dificulta ou bloqueia a circulação sanguínea, afetando principalmente as pernas.
Esse quadro, frequentemente chamado de ‘trombose do viajante’, surge em decorrência de longos períodos de imobilidade em meios de transporte como aviões, ônibus, carros ou trens. Quando o passageiro permanece estático na mesma posição por muitas horas, a musculatura da panturrilha deixa de funcionar de maneira eficiente como uma bomba propulsora, desacelerando o fluxo sanguíneo nas extremidades inferiores e facilitando a coagulação.
No caso específico das viagens aéreas, os riscos aumentam devido à altitude e à baixa pressão na cabine, cuja concentração de oxigênio equivale a uma altitude de 2.200 metros. Contudo, médicos ressaltam que a probabilidade de um indivíduo saudável desenvolver a condição é baixa, exigindo maior atenção de gestantes, pessoas com histórico pessoal ou familiar da doença, usuários de anticoncepcionais, idosos, recém-operados e pessoas com mobilidade reduzida.
A formação do trombo geralmente resulta da combinação de múltiplos fatores, nos quais a viagem atua como um agravante. Questões como obesidade, tabagismo e sedentarismo também elevam consideravelmente a vulnerabilidade à doença. O cenário torna-se ainda mais crítico quando o coágulo se desloca e atinge os pulmões, provocando uma embolia pulmonar, que é uma condição grave e potencialmente fatal.
Para mitigar esses perigos, especialistas recomendam manter o corpo em movimento ao longo do trajeto, caminhando por alguns minutos a cada hora ou duas, ou realizando paradas periódicas em viagens de carro. Movimentar os pés, tornozelos e panturrilhas mesmo sentado também ajuda a ativar a circulação, sendo igualmente prudente evitar assentos sem espaço e o consumo excessivo de álcool associado à desidratação.
O uso de roupas confortáveis e meias elásticas de compressão pode ser um grande aliado na prevenção, embora o modelo e o tamanho devam ser rigorosamente avaliados por um médico. Em caso de surgimento de sintomas como dor, inchaço, sensibilidade na panturrilha, aumento da temperatura local ou alteração na coloração da pele de uma das pernas, o atendimento médico imediato é fundamental.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
