A disputa judicial envolvendo a aquisição de um superiate de luxo avaliado em 350 milhões de euros (aproximadamente R$ 2,08 bilhões) ganhou novos contornos após esclarecimentos apresentados pelos advogados de Nik Storonsky, CEO da fintech britânica Revolut. Segundo a defesa do executivo, ele descobriu a identidade do antigo proprietário da embarcação por meio de uma pesquisa realizada no ChatGPT.
A controvérsia veio a público após a empresa de corretagem de iates Cecil Wright & Partners Ltd. mover uma ação judicial no Reino Unido contra Storonsky. De acordo com a acusação da corretora, o bilionário teria contornado a intermediação da firma para realizar a compra diretamente, evitando assim o pagamento de uma comissão estimada em 17,5 milhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 103,8 milhões.
Em contrapartida, os representantes legais de Storonsky negaram veementemente as acusações. A defesa argumenta que a Cecil Wright induziu o family office do executivo ao erro e tentou ocultar a verdadeira identidade do antigo dono do navio. As tratativas iniciais conduzidas pela corretora acabaram naufragando após a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, ocorrida em novembro de 2025 na véspera da liquidação da instituição.
O superiate em questão, batizado de Nixie e construído pelo estaleiro alemão Lürssen, foi originalmente encomendado pelo empresário canadense e ex-jogador de hóquei no gelo Patrick Dovigi. Durante o processo de fabricação, a embarcação foi repassada a Vorcaro. Com a prisão do banqueiro brasileiro, Dovigi exerceu o direito de recomprar o iate, vendendo-o posteriormente de maneira direta a Storonsky.
Os advogados do fundador da Revolut sustentam que o executivo já detinha o conhecimento de que Dovigi era o proprietário anterior antes mesmo de fechar o negócio, tendo obtido tal dado por meio de consultas públicas na ferramenta de inteligência artificial ChatGPT. A defesa reforça que a intermediária jamais apresentou Dovigi ao comprador e tampouco conduziu as negociações que culminaram na transação final.
O caso também mobilizou autoridades e outras instâncias judiciais. Em meados de junho, o estaleiro Lürssen foi intimado a prestar depoimento sobre eventuais negociações mantidas com Vorcaro e demais investigados no escândalo envolvendo o Banco Master. Representantes da Revolut, da fabricante alemã e de Patrick Dovigi optaram por não comentar publicamente os desdobramentos do processo movido pela corretora britânica.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
