O significado de saber ler e escrever tem passado por transformações profundas ao longo da história, desde os primórdios da imprensa e da Grécia Antiga até os dias atuais, marcados pelas novas formas de consumo e produção de informações na era digital. É justamente nesse cenário de transição tecnológica que os dados recentes do Pisa 2025, divulgados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), ganham relevância e exigem reflexão por parte da sociedade.
O Pisa funciona como um exame comparativo internacional que busca mensurar a capacidade de estudantes de 15 anos de idade de aplicar conhecimentos em áreas como leitura, ciências e matemática na resolução de desafios práticos do cotidiano. Com a expansão da internet, a forma como os jovens leem e escrevem mudou drasticamente, o que se reflete diretamente nos indicadores de desempenho avaliados pelo programa global.
Os resultados referentes à habilidade de leitura apontam um panorama preocupante em âmbito global. De acordo com a OCDE, entre 2018 e 2025 houve um enfraquecimento em competências cruciais para o ecossistema digital, tais como a capacidade de avaliar informações com rigor, cruzar dados de múltiplas fontes e manter o pensamento crítico frente aos conteúdos consumidos cotidianamente. Paralelamente, o índice de estudantes classificados como ‘leitores precipitados’ quase duplicou no período.
No contexto da avaliação, o termo designa os alunos que realizam leituras velozes e fornecem respostas imediatas, porém incorretas, aos testes propostos. No Brasil, o cenário reflete essa dificuldade de forma acentuada: apenas 1% dos estudantes avaliados atingiram o patamar de excelência em leitura, situando-se no nível 5 ou superior, patamar no qual demonstram aptidão para compreender textos densos, lidar com conceitos abstratos e separar fatos de opiniões.
O levantamento da OCDE também deixa evidentes as disparidades educacionais associadas ao nível socioeconômico dos alunos. Entre os jovens situados no quartil de menor renda, 67% registraram desempenho insatisfatório em leitura. Esse quadro é agravado por hábitos cotidianos de consumo de informação, em que muitas pessoas priorizam manchetes rápidas em redes sociais ou conteúdos audiovisuais curtos em detrimento de reportagens aprofundadas.
Diante desse panorama em que a produção e o acesso à informação se tornaram instantâneos, a alfabetização e a educação midiática precisam evoluir. Ler criticamente na atualidade exige questionar a origem dos dados, a finalidade do texto e o contexto da publicação, preparando os estudantes para uma participação autônoma e consciente no mundo digital.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
