Um levantamento histórico e arquitetônico realizado em 46 imóveis da Rua 14 de Julho, no trecho compreendido entre a Rua 7 de Setembro e a Avenida Mato Grosso, em Campo Grande, trouxe à tona detalhes surpreendentes sobre o passado da região central. O projeto catalogou construções que guardam desde o primeiro elevador da cidade até um antigo espaço que foi utilizado durante o regime militar, revelando camadas da história urbana que muitas vezes passam despercebidas pela população.
Batizada de “Rota 14 – Levantamento Histórico e Arquitetônico dos Imóveis de Interesse de Preservação da Rua 14 de Julho”, a iniciativa elaborou um museu virtual com o objetivo de aproximar os moradores das memórias contidas nas edificações. A pesquisa teve aprovação do Fundo Municipal de Investimentos Culturais em 2024, iniciou sua execução no ano seguinte e foi oficialmente lançada recentemente, buscando fazer com que a comunidade enxergue a via para além de seu forte apelo comercial e do movimento atual.
De acordo com a arquiteta Viviane Maria de Freitas, coordenadora do projeto, um dos maiores intuitos era despertar a curiosidade das pessoas para que olhassem para cima e notassem as características arquitetônicas dos prédios durante as visitas técnicas e o cotidiano. Para estruturar o material, a equipe investigou jornais, revistas e acervos históricos, analisando fachadas, estilos, estados de conservação, além dos nomes dos fundadores e construtores de cada imóvel catalogado.
Entre as descobertas de maior destaque está o edifício que abrigou o primeiro elevador de Campo Grande. Segundo os registros históricos levantados, o equipamento exigia tanto esforço que consumia praticamente toda a energia elétrica da quadra quando entrava em funcionamento, tornando-se uma enorme atração na época. Outro ponto curioso mapeado fica na esquina com a Avenida Afonso Pena, em um prédio que funcionou como centro de atividades durante o regime militar.
O levantamento também identificou o local da primeira linha telefônica instalada no município, situada no trecho entre a 7 de Setembro e a 15 de Novembro, além de construções marcantes como a edificação conhecida como Fruto do Ventre, notabilizada pela rica ornamentação na fachada. O Edifício José Abrão, que recentemente passou pelo processo de tombamento oficial como patrimônio da cidade, também integrou o escopo das análises desenvolvidas ao longo do projeto.
O trabalho foi executado por uma equipe multidisciplinar formada por arquitetos, engenheiro civil, pesquisador, arte-educador, designer gráfica, intérprete de Libras e estudantes de Arquitetura e Urbanismo da Unigran Capital. O resultado dessa união está disponível em formato PDF e em uma plataforma digital interativa, que conta com mapa clicável, fotografias antigas, arquivos técnicos e um glossário voltado a facilitar a compreensão de termos técnicos da arquitetura pelas futuras gerações e pelo público em geral.
Fonte: www.campograndenews.com.br
