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Expedição científica brasileira investiga os abismos da Zona de Fratura Romanche no Atlântico

Grupo de pesquisadores brasileiros parte de Fortaleza para mapear e coletar amostras em formação submarina profunda no Oceano Atlântico.

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Expedição científica brasileira investiga os abismos da Zona de Fratura Romanche no Atlântico

Uma ambiciosa jornada científica tem saída programada para este domingo, partindo de Fortaleza (CE) em direção à Zona de Fratura Romanche. Trata-se de uma extensa formação submarina que se estende por cerca de 1 mil quilômetros, unindo uma sucessão de vales e montanhas situada exatamente no meio do caminho entre a costa nordeste do Brasil e o setor oeste do continente africano.

Batizada formalmente de The Gap, a missão oceanográfica contará com o suporte tecnológico de ponta a bordo do navio de pesquisas Falkor (too). Os especialistas farão uso de um robô operado por cabo e de um submarino autônomo para mapear minuciosamente duas zonas distintas, além de recolher amostras de espécimes da vida marinha e formações rochosas situadas a profundidades impressionantes de até 4,5 mil metros.

O foco central da investigação gira em torno da ressurgência equatorial, um fenômeno sazonal impulsionado pelos ventos alísios que promove a ascensão de águas frias e altamente nutritivas para a superfície. O processo estimula a proliferação de organismos microscópicos, servindo como base fundamental para a cadeia alimentar de todo o ecossistema marinho daquela região intertropical.

De acordo com o professor José Angel Perez, da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e líder da equipe, o objetivo primordial é compreender a correlação entre essa intensa produção de alimentos na superfície e as comunidades que habitam o leito oceânico profundo. O pesquisador ressalta que, embora 70% da superfície terrestre seja coberta por oceanos profundos, a humanidade conhece menos de 1% desse vasto domínio.

Além do mapeamento morfológico e da dinâmica das correntes, a equipe prestará atenção especial aos reflexos das alterações climáticas e da acidificação dos oceanos sobre esses habitats sensíveis. Variações recentes no comportamento dos ventos locais já indicam ameaças em potencial para reservatórios vitais de biodiversidade, como os recifes de corais encontrados na região.

A operação técnica contará com equipamentos avançados cedidos pelo Schmidt Ocean Institute, instituição patrocinadora que viabilizou a embarcação e tecnologias como o robô SuBastian. As atividades de mergulho e coleta terão transmissão ao vivo pela internet, permitindo que o público global acompanhe cada etapa da exploração até o encerramento da rota, previsto para o final de outubro, quando a equipe desembarcará em Gana.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano