A companhia aérea Azul declarou publicamente que o litígio judicial em curso, que envolve a cobrança de 189 milhões de euros devidos pela TAP, não prejudica os laços comerciais estabelecidos entre as duas empresas. A corporação brasileira reforçou que mantém um interesse absoluto na preservação da aliança estratégica, mesmo diante do iminente processo de privatização da companhia portuguesa.
As duas empresas mantêm vínculos comerciais estreitos, mas enfrentam divergências nos tribunais devido a um aporte financeiro de 90 milhões de euros realizado pela companhia brasileira em favor da empresa de Portugal no ano de 2016, montante que deveria ter sido quitado acrescido de juros. Paralelamente, o avanço da privatização da TAP prevê a inserção de um novo acionista majoritário com ao menos 44,9% do capital social, cenário que, segundo a direção da Azul, não altera a condução conjunta dos negócios.
Durante um evento comemorativo pelos dez anos da operação da empresa brasileira em território português, realizado na residência do embaixador do Brasil em Portugal, o vice-presidente institucional e corporativo da Azul, Fábio Campos, enfatizou a solidez do vínculo. Segundo o executivo, a relação construída ao longo dos anos permanece excelente e a TAP continua sendo vista como uma parceira comercial de suma importância.
Questionado sobre os impactos da privatização — que atrai o interesse de grupos como Lufthansa e Air France-KLM —, Campos reiterou que a companhia brasileira busca manter a cooperação mútua independentemente de quem venha a assumir o controle acionário da empresa europeia. O foco permanece na sinergia gerada pela distribuição de passageiros entre as malhas aéreas de ambas as companhias no Brasil e na Europa.
A controvérsia financeira remonta ao aporte original de 2016 em títulos da TAP SGPS, realizado em conjunto com a estatal Parpública. Com a reestruturação e a posterior intervenção estatal na esteira da pandemia de Covid-19, os títulos perderam a conversibilidade em ações. Com o vencimento do prazo estipulado para o pagamento, a Azul recorreu à Justiça para assegurar o recebimento dos valores cobrados.
Enquanto os trâmites judiciais seguem em andamento, iniciativas paralelas voltadas para a classificação da insolvência da antiga estrutura da TAP enfrentaram mudanças de rumo após pareceres de administradores judiciais e do Ministério Público apontarem para a qualificação do processo como fortuito e não culposo. A diretoria da Azul prefere aguardar o desfecho definitivo nas instâncias competentes, mantendo o tom de otimização quanto ao futuro da parceria comercial.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
