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Moradores de Perus retomam protestos contra instalação de incinerador de lixo na periferia de São Paulo

Aprovados sem licitação prévia, novos projetos de unidades de recuperação energética em bairros periféricos mobilizam coletivos e defensores dos direitos ambientais na capital paulista.

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Moradores de Perus retomam protestos contra instalação de incinerador de lixo na periferia de São Paulo

A discussão em torno do destino dos resíduos sólidos na cidade de São Paulo ganhou novos contornos com a mobilização de moradores do bairro de Perus, na zona noroeste da capital, contra a instalação de incineradores de lixo na região. O debate resgata memórias de décadas passadas, quando a localidade abrigou um grande lixão por 28 anos, encerrado após intensa pressão popular.

Recentemente, a Prefeitura de São Paulo aprovou a implantação de unidades de recuperação energética em quatro pontos da cidade, incluindo Perus, por meio de parceria com a concessionária Loga. Embora o projeto seja chamado de ecoparque pelas autoridades, críticos apontam que a iniciativa representa o retorno da incineração de resíduos sólidos sob nova roupagem.

Coletivos e entidades como o Instituto Pólis, o Observatório do Clima e a Aliança Resíduo Zero Brasil denunciam que os incineradores foram incluídos na prorrogação de contratos de limpeza urbana sem a realização de licitação ou de consultas públicas adequadas, desrespeitando as diretrizes estabelecidas no Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos de 2014.

Especialistas alertam para os riscos associados à tecnologia de queima de materiais como papel e plástico, que além de competirem com o trabalho de catadores de cooperativas de reciclagem, liberam poluentes tóxicos capazes de interferir no sistema hormonal humano e no desenvolvimento fetal. Em razão disso, a Defensoria Pública do Estado de São Paulo solicitou à Justiça a anulação das cláusulas que autorizam as construções.

Diante do avanço do projeto, os moradores criaram o movimento ‘Incinerador de lixo em Perus, não’ e intensificaram as manifestações na capital. A mobilização se integrará à Marcha pelo Clima 2026, organizada para expressar o descontentamento popular contra políticas públicas consideradas prejudiciais ao meio ambiente e à saúde das comunidades periféricas.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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