Últimas notícias
BRASIL

Eleições 2026: candidatos precisam dizer de que lado estão no jogo das bets

Eleitor tem o direito de saber quem defende a indústria do jogo e quem está disposto a proteger as famílias diante do avanço das apostas on-line.

Compartilhe: WhatsApp Facebook X
Eleições 2026: candidatos precisam dizer de que lado estão no jogo das bets

A campanha eleitoral para as Eleições 2026 não pode discutir apenas obras, impostos, segurança e geração de empregos. Há uma epidemia silenciosa entrando diariamente nas casas brasileiras pelo celular: o vício em apostas on-line. As chamadas bets deixaram de ser simples diversão e se tornaram um problema de saúde pública, de endividamento e de proteção das famílias.

O assunto precisa aparecer nos debates, nas sabatinas e nos programas de governo. Quem pede o voto para governar o País ou representar a população no Congresso deve responder com clareza se pretende manter esse mercado como está, impor restrições severas ou proibir as apostas on-line no Brasil. Não basta apenas argumentar que o setor gera impostos e patrocina clubes de futebol.

Pesquisa do DataSenado mostrou que, em 2024, cerca de 22,1 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais haviam feito apostas nos 30 dias anteriores ao levantamento. O dado ajuda a dimensionar a velocidade com que o jogo foi normalizado no País, impulsionado pelo futebol, pelas redes sociais, por influenciadores e por uma publicidade quase onipresente em diversos meios de comunicação.

Celebridades e influenciadores digitais têm responsabilidade especial nesse processo, pois ao emprestar o rosto e a credibilidade às plataformas, transformam a fama em selo de confiança. Milhões de seguidores, muitos deles jovens, são levados a acreditar que apostar é fácil, lucrativo e divertido, raramente vendo o outro lado das perdas sucessivas, dívidas e dependência.

A Organização Mundial da Saúde reconhece o transtorno do jogo como problema de saúde e alerta para consequências como endividamento, rompimento de relações, violência familiar e suicídio. O próprio governo reconheceu a gravidade da situação ao criar atendimento específico no SUS, oferecendo teleatendimentos mensais a apostadores e familiares por meio de aplicativo oficial.

É justamente por envolver decisões difíceis que o tema precisa entrar na eleição. Candidatos aos diferentes cargos devem apresentar propostas nacionais e estaduais para fortalecer a saúde mental, a educação financeira e a proteção dos consumidores, garantindo que a saúde e a dignidade das pessoas fiquem acima de qualquer lucro comercial.

Fonte: www.campograndenews.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano