O mercado de seguros no Brasil tem diante de si um desafio econômico e social estimado em R$ 300 bilhões. Esse valor corresponde ao potencial de proteção financeira e patrimonial concentrado nas favelas e comunidades de todo o país, um território que historicamente tem à margem os produtos tradicionais oferecidos pelas grandes seguradoras.
A expansão desse mercado para as periferias exige uma mudança profunda na mentalidade das empresas do setor. Os modelos convencionais de precificação e análise de risco, muitas vezes desenhados exclusivamente para os grandes centros urbanos formais, não se aplicam de maneira automática à realidade dinâmica dessas localidades.
Entre os principais obstáculos apontados por especialistas estão a informalidade na posse dos imóveis, a ausência de endereçamento postal padronizado em algumas áreas e a vulnerabilidade a eventos climáticos extremos. Esses fatores elevam a percepção de risco e dificultam a vistoria e a emissão das apólices nos moldes tradicionais.
Em contrapartida, moradores e empreendedores locais demonstram interesse crescente em proteger seus comércios, residências e bens conquistados com muito esforço. Pequenos negócios locais, que movimentam bilhões de reais anualmente dentro das comunidades, formam a base desse mercado consumidor em potencial.
Para superar essas barreiras, empresas de tecnologia e startups do setor financeiro começam a desenhar soluções sob medida, como microseguros de curta duração e contratação simplificada por meio de aplicativos de celular. A parceria com lideranças comunitárias e agentes locais também tem se mostrado essencial para gerar confiança na prestação desse tipo de serviço.
A inclusão financeira e securitária das favelas representa não apenas uma oportunidade comercial multibilionária para as companhias, mas também um instrumento relevante de cidadania e resiliência econômica para milhões de brasileiros que vivem nessas regiões.
Fonte: www.poder360.com.br
