Na pequena cidade de Bom Jesus dos Perdões, situada a cerca de 65 quilômetros do centro da capital paulista, a abertura de um estabelecimento comercial mudou completamente o cenário cultural e o debate público local. Com uma população estimada em 22 mil habitantes, o município interiorano não possuía nenhuma livraria até o ano de 2016, quando o empreendimento conhecido como Casa do Leitor foi fundado na região.
A iniciativa partiu do casal Guilherme Moura, psicólogo e morador de longa data do município, e Fernanda Miquelino, também psicóloga natural de Atibaia que se mudou para a localidade após o matrimônio. O projeto surgiu para confrontar a crença de que os munícipes não demonstravam interesse por manifestações artísticas ou literárias, justificativa frequentemente utilizada para a ausência de investimentos públicos voltados ao setor na área.
O negócio iniciou sua trajetória de forma virtual, servindo como fonte de renda para custear os estudos superiores de Guilherme. Com a expansão das vendas e a disponibilidade do espaço superior do estoque localizado em uma garagem, os idealizadores decidiram inaugurar a loja física. O objetivo principal passou a ser a criação de um polo de integração e convivência para os entusiastas da literatura e das artes.
Desde a inauguração oficial, que contou com a presença do professor Christian Dunker, a livraria expandiu suas atividades para além da comercialização de obras impressas. O local passou a abrigar lançamentos literários com autores renomados, festivais, feiras de discos de vinil, sessões cinematográficas e rodas de conversas voltadas a diferentes faixas etárias, incluindo idosos de instituições de longa permanência.
O impacto da iniciativa também alcançou a rede pública de ensino de Bom Jesus dos Perdões. Conforme relatos da Secretaria Municipal da Educação, projetos desenvolvidos pela livraria beneficiaram centenas de alunos do ensino fundamental em escolas locais, facilitando a compreensão de narrativas e ampliando o acesso dos estudantes e docentes ao universo da leitura.
Apesar do sucesso e de manter o calendário de eventos preenchido com antecedência, os responsáveis ainda enfrentam barreiras operacionais, como a escassez de recursos financeiros e a necessidade de um engajamento mais efetivo por parte da administração pública. Contudo, o espaço segue consolidado como um ponto de resistência, diversidade e circulação de ideias para moradores locais e de cidades vizinhas.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
