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Parlamentares de Brasil, EUA e mais 11 países condenam ataques a barcos na América Latina

Um grupo de mais de 70 parlamentares de 13 países, incluindo deputadas brasileiras e a americana Alexandria Ocasio-Cortez, assinou uma declaração conjunta classificando como execuções extrajudiciais os ataques dos EUA a embarcações no Caribe e no Pacífico.

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Parlamentares de Brasil, EUA e mais 11 países condenam ataques a barcos na América Latina

Mais de 70 parlamentares dos Estados Unidos e de outros 12 países das Américas uniram-se em um abaixo-assinado para condenar veementemente os ataques realizados pelos Estados Unidos contra embarcações localizadas no Caribe e no Pacífico. O grupo classificou as mortes provocadas por essas operações militares como execuções extrajudiciais, exigindo do governo norte-americano o encerramento imediato e permanente das investidas.

Entre os signatários da declaração conjunta estão duas deputadas brasileiras, Luciene Cavalcante (PSOL-SP) e Ana Pimentel (PT-MG), além da deputada democrata americana Alexandria Ocasio-Cortez (AOC). Dados da plataforma Airwar, que monitora os episódios desde setembro do ano passado, indicam que 234 pessoas foram mortas em decorrência de 67 ataques que já atingiram 71 embarcações na região.

O documento também faz um apelo direto para que outras nações latino-americanas cessem qualquer tipo de contribuição com as operações militares dos EUA. Isso inclui o fim do compartilhamento de informações de inteligência, da cessão de bases e instalações militares, do apoio logístico e de outras formas de cooperação estratégica com o governo americano.

De acordo com os parlamentares que assinam a manifestação, não existem evidências concretas de que os barcos alveados representassem uma ameaça iminente que justificasse o uso de força letal. O texto argumenta ainda que tais ações violam direitos fundamentais e colocam em risco direto comunidades costeiras e pesqueiras que dependem da atividade marítima na região.

Além de questionarem a real eficácia da ofensiva no combate ao narcotráfico, os legisladores expressaram profunda preocupação com a possibilidade de a campanha militar ser ampliada para alvos em terra, lembrando que a gestão de Donald Trump já sinalizou a intenção de continuar e expandir as operações. O grupo defende que o enfrentamento ao crime organizado transnacional deve respeitar soberanias nacionais, direitos humanos e o direito internacional.

A articulação ocorre no mesmo período em que o Escudo das Américas, uma aliança de nações conservadoras liderada pelos EUA, divulgou um documento aderindo à designação de grupos criminosos como o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Enquanto a diplomacia brasileira avalia os impactos dessa medida, a declaração dos parlamentares reforça o debate sobre os limites da intervenção estrangeira e a militarização na América Latina.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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