O empresário, autor e especialista em inovação Ricardo Geromel foi o convidado do programa Provoca, apresentado por Marcelo Tas, para debater os rumos da relação geopolítica e comercial entre o Brasil e a China. O centro da conversa girou em torno da expressiva importância do agronegócio brasileiro para o abastecimento e a segurança alimentar da potência asiática.
Durante a sabatina, Geromel detalhou os diversos aspectos dessa parceria estratégica, abordando desde os expressivos volumes de commodities agrícolas comercializados até os investimentos maciços realizados por capitais chineses em obras de infraestrutura no território brasileiro. Além disso, o especialista pontuou os rápidos e impressionantes avanços tecnológicos obtidos pela China em setores fundamentais para a transição energética global, como a fabricação de baterias, a expansão de carros elétricos e o desenvolvimento de fontes solares de energia.
Para definir o atual momento econômico vivido pelas duas nações, o especialista recorreu a uma forte analogia biológica. Segundo ele, o cenário contemporâneo configura uma verdadeira simbiose comercial. “Se a China parar de comprar, para quem que o Brasil vai vender esses volumes? E se o Brasil parar de vender, se o agro tiver problema… nossa balança comercial fica negativa”, argumentou o autor durante a entrevista.
Apesar do volume e da solidez dos negócios atuais, Geromel alertou que a dinâmica internacional é dinâmica e não deve ser encarada de forma estática. Na visão do especialista, a parceria assemelha-se a um compromisso matrimonial, embora ressalte que o ponto de maior preocupação resida na falsa premissa de que essa aliança comercial estaria garantida para todo o sempre.
Profundamente familiarizado com os costumes orientais, o especialista também aproveitou a oportunidade para explicar as peculiaridades culturais e corporativas que regem a etiqueta dos negócios na China. Ele apresentou ao público conceitos tradicionais fundamentados na sociedade local, a exemplo do ‘guanxi’, que prioriza o cultivo prolongado e paciente de laços de confiança mútua ao longo dos anos.
Complementando a explicação sobre a cultura empresarial chinesa, Geromel abordou o termo ‘mianzi’, cuja tradução prática se relaciona diretamente com a preservação da dignidade, ou seja, os atos de “dar face” e “receber face” nas negociações. Para o especialista, a consolidação desse tipo de parceria duradoura não possui atalhos e exige dedicação temporal estrita: “Como se constrói relação de confiança? Só de um jeito, com tempo”, concluiu.
Fonte: cultura.uol.com.br
