A poucos dias da eleição presidencial, especialistas e analistas políticos apontam que é obrigatória a vigilância máxima para conter as tentativas de interferência política dos Estados Unidos no Brasil. O cenário é marcado por movimentações e declarações vindas da administração norte-americana que geram apreensão sobre o equilíbrio do pleito.
Entre os episódios que intensificam a tensão estão anúncios de tarifaços, a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, a aplicação da Lei Magnitsky e o envio de um relatório ao Congresso americano acusando o país de falhar no combate ao crime. Além disso, há o envio de funcionários para questionar o processo eleitoral e a escalada da pressão pública do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, sobre o governo brasileiro.
Nos bastidores de Brasília, parlamentares de direita indicam a existência de uma lista com dezenas de alvos previstos para novas sanções por parte do governo norte-americano. O candidato Flávio Bolsonaro também passa a ser cobrado a dar explicações sobre a mobilização de seus aliados nos EUA e sobre propostas de colocar equipes de transição à disposição de lideranças estrangeiras caso vença a disputa.
Setores econômicos, especialmente empresas exportadoras e representantes do agronegócio, manifestam profunda preocupação com potenciais restrições comerciais decorrentes de alinhamentos e conflitos geopolíticos futuros com os Estados Unidos. O temor é que o cenário internacional acabe prejudicando o comércio exterior brasileiro com potências asiáticas e outras nações.
Em análise veiculada recentemente, especialistas em direito eleitoral chamaram a atenção para uma lacuna na atuação do Tribunal Superior Eleitoral no monitoramento e na prevenção de riscos relacionados à interferência estrangeira. Para críticos, a principal instituição encarregada de resguardar o sistema eleitoral brasileiro tem demonstrado distanciamento em relação a esses sinais de alerta.
Enquanto o debate cresce nos âmbitos político e jurídico, o presidente do TSE e ministro do STF, Kassio Nunes Marques, não tem demonstrado preocupação com o tema. A postura do magistrado ocorre em meio a repercussões de apurações conduzidas pela Polícia Federal e reforça os questionamentos sobre o papel das instituições na defesa da soberania durante o período eleitoral.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
