O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) determinou, de maneira cautelar, o congelamento patrimonial do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, além de outros quatro ex-dirigentes da instituição financeira estatal. A decisão decorre de investigações sobre transações irregulares e fraudulentas realizadas com o Banco Master, pertencente a Daniel Vorcaro.
A restrição financeira foi estipulada em caráter provisório até o limite global e não cumulativo de R$ 2,76 bilhões, valendo pelo período de um ano. A medida alcança, além de Paulo Henrique — que atualmente se encontra sob prisão preventiva —, o ex-diretor de finanças e controladoria Dario Oswaldo Garcia Júnior, o ex-presidente do Conselho de Administração Marcelo Talarico, o ex-superintendente de Operações Financeiras Robério Cesar Bonfim Mangueira e o ex-gerente de Operações de Tesouraria e de Fusões e Aquisições Wily da Silva Leão.
De acordo com nota divulgada pelo órgão de controle, o objetivo principal da ação é assegurar o eventual ressarcimento aos cofres públicos diante de fortes indícios de irregularidades identificados nas apurações acerca das operações conduzidas pelo banco distrital. Paralelamente, a corte ordenou a conversão do procedimento em Tomada de Contas Especial, instrumento normativo voltado especificamente para apurar responsabilidades e calcular danos causados ao erário.
Ainda segundo as determinações do tribunal, a diretoria responsável deve encaminhar, no prazo máximo de 24 horas, o relatório completo da auditoria independente executada nas contas do BRB. O TCDF também informou que examinará a conduta de outros funcionários e executivos que integraram a instituição, avaliando a proporção para um eventual bloqueio patrimonial adicional com base no grau de responsabilidade de cada envolvido.
As investigações internas e externas já provocaram desdobramentos administrativos drásticos no banco estatal. O BRB confirmou o afastamento de cinco empregados em decorrência do escândalo com o Banco Master, marcando a primeira punição interna oficial ligada ao caso. Entre os afetados está Dario Oswaldo Garcia Júnior, que havia sido anteriormente removido da diretoria e realocado para uma agência comum da instituição após a liquidação do banco de Vorcaro.
Atualmente, o Banco de Brasília enfrenta uma grave crise estrutural de capital e liquidez, impulsionada pela aquisição de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas negociadas com o Master. Diante da baixa recuperação dos valores perdidos, estimativas internas apontam que o montante necessário para provisões financeiras e cobertura do rombo atinge a casa dos R$ 8,8 bilhões, patamar que ainda pode ser elevado conforme o avanço das perícias.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
