A liquidação global de títulos do Tesouro intensificou-se drasticamente, impulsionada pelo retorno do petróleo a patamares superiores a US$ 106 por barril. Esse cenário renovou e ampliou os temores de inflação nos mercados internacionais, logo após o mercado de Treasuries registrar sua maior queda desde a onda de vendas deflagrada pela guerra comercial no ano anterior.
Os rendimentos dos títulos do governo americano com vencimento em dez anos alcançaram 5,15%, acumulando alta de 0,03 ponto percentual e atingindo o patamar mais elevado desde o ano de 2007. O movimento de alta foi impulsionado por preços firmes do petróleo e dados macroeconômicos robustos, que elevaram as apostas de que o Federal Reserve poderá acelerar o ritmo de aperto monetário.
Especialistas do mercado financeiro apontam que a disparada nas taxas de retorno tem gerado forte pressão sobre fundos de hedge e operadores de renda fixa. A situação foi agravada por incertezas geopolíticas, incluindo trocas de declarações duras entre Estados Unidos e Irã durante a Assembleia Geral da ONU, mantendo a cotação do Brent em alta expressiva.
O reflexo da volatilidade americana atingiu prontamente as principais praças acionárias e de dívida ao redor do mundo. Na Ásia, as bolsas da China registraram quedas expressivas, enquanto o rendimento dos títulos soberanos japoneses de dez anos escalou para o maior nível em três décadas, evidenciando o caráter global do ajuste nos custos de captação.
Diante desse cenário de juros e rendimentos elevados, o custo de financiamento para governos em todo o planeta segue subindo em um momento de déficits fiscais elevados. Organismos internacionais e analistas alertam para os riscos de um ciclo prolongado de restrição financeira, agravado por choques de oferta e por uma atividade econômica considerada superaquecida.
Os operadores de derivativos já precificam com alta probabilidade um novo movimento de alta nos juros básicos pelo banco central americano na próxima reunião. Enquanto isso, gestores e economistas continuam a monitorar os impactos combinados da política fiscal expansionista, das restrições comerciais e das pressões inflacionárias sobre a economia global.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
