Uma moradora aposentada de Madri cujo despejo provocou protestos generalizados em todo o país e elevou a pressão sobre o governo para conter a crise habitacional na Espanha poderá retornar ao seu lar após costurar um acordo com os proprietários do imóvel. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (28) pela defesa da idosa.
A dificuldade crônica de acesso à moradia é um problema histórico na Espanha, mas a indignação popular gerada pela expulsão, ocorrida na última quarta-feira (23), de Maricarmen Abascal, de 87 anos, recolocou o tema no centro do debate político nacional.
Como reflexo da revolta, manifestantes ergueram cerca de 100 barracas na emblemática praça Puerta del Sol, na capital espanhola, desde a noite de sábado, enquanto dezenas de milhares de cidadãos saíram às ruas em protestos por todo o território espanhol.
A advogada de Abascal, Beatriz Duro, celebrou o desfecho em declarações à imprensa e classificou a tratativa como fruto direto da forte mobilização social. Segundo a representante jurídica, houve boa vontade mútua e o valor do aluguel estabelecido será semelhante ao que a moradora pagava anteriormente.
Abascal, que utiliza cadeira de rodas, havia sido retirada em uma maca do apartamento nobre situado no bairro de Retiro, onde residia há sete décadas, transformando-se em um símbolo da luta contra a alta expressiva nos preços dos aluguéis e a carência de salvaguardas para os inquilinos. Ela retornará ao domicílio assim que receber alta hospitalar, onde se recupera de um quadro de exaustão.
Enquanto isso, o governo liderado pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez busca viabilizar um novo pacote de medidas habitacionais para votação, tentando mitigar a pressão popular, em um cenário em que especialistas apontam um déficit de centenas de milhares de moradias em todo o país.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
