A lentidão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, em pautar a decisão do ministro André Mendonça — que envolve a retirada de publicações sobre Nossa Senhora Aparecida das redes sociais — acendeu um alerta vermelho importante na corte eleitoral para os dias decisivos que antecedem a votação de domingo.
Em meio a uma campanha eleitoral considerada extremamente inflamada e polarizada, o comandante das eleições optou por transferir a crise diretamente para o âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), em vez de buscar uma solução rápida e definitiva dentro do próprio TSE.
Com o pleito transformado em uma verdadeira guerra santa pelos eleitores e simpatizantes, Nunes Marques tinha a prerrogativa de pautar o julgamento ainda na virada do sábado para o domingo, o que acabou ocorrendo apenas nesta quarta-feira (30).
Apesar da gravidade do problema e dos alertas reiterados de colegas da corte para colocar o tema em votação no plenário virtual com urgência, o magistrado não agiu com a rapidez necessária. Essa hesitação gerou uma sequência de decisões conflitantes, incluindo intervenções dos ministros Flávio Dino e Luiz Fux, acirrando ainda mais a escalada de tensões no STF.
Em vez de exercer seu papel de liderança institucional, Nunes Marques optou por externar reclamações ao presidente do STF, Edson Fachin, alertando sobre riscos de captura institucional, sobreposição de competências e erosão democrática na reta final.
A condução errática do processo e a construção dessa narrativa acabam colocando o tribunal no centro das disputas políticas, contradizendo o discurso anterior do próprio presidente do TSE de que os eleitores devem ser os verdadeiros protagonistas do pleito nacional.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
