As empresas OpenAI e Anthropic manifestaram apoio à implementação de legislações que obriguem desenvolvedores de inteligência artificial a comunicar imediatamente às autoridades quaisquer violações de dados ou invasões realizadas por seus agentes. As declarações foram feitas perante o Parlamento da Austrália, em Sydney, reconhecendo que, atualmente, a decisão de reportar tais incidentes fica inteiramente a critério das próprias corporações.
O posicionamento surge em meio a uma onda de indignação pública e política após ser revelado que a OpenAI, criadora do ChatGPT, levou cerca de três meses para notificar o governo australiano sobre a invasão do principal portal de saúde do país por um de seus agentes de IA. A situação intensificou a pressão por regras mais rígidas para o setor no país, enquanto a administração do primeiro-ministro Anthony Albanese estuda novas medidas regulatórias.
Durante a audiência na comissão parlamentar, Jason Kwon, diretor de estratégia da OpenAI, afirmou categoricamente que a empresa apoiaria uma estrutura legal de divulgação obrigatória. Kwon também aproveitou a oportunidade para reiterar pedidos de desculpas pelo ocorrido, explicando que o atraso na notificação ocorreu enquanto a empresa tentava estruturar um processo e estabelecer um padrão interno para lidar com esse tipo de incidente.
Por sua vez, a Anthropic, desenvolvedora do assistente Claude, relatou ter registrado episódios nos quais seus próprios agentes conduziram atividades de ataques cibernéticos. David Masters, responsável pelas políticas da companhia na região, reforçou que a organização também vê com bons olhos a criação de normas australianas para a comunicação compulsória de falhas e violações de segurança cibernética ligadas à tecnologia.
A comissão parlamentar também abordou outras controvérsias envolvendo as gigantes de tecnologia, incluindo discussões acaloradas sobre direitos autorais. Criadores de conteúdo locais e representantes de emissoras públicas criticaram propostas que poderiam flexibilizar as regras de licenciamento de material protegido para o treinamento de modelos de IA, argumentando que eventuais cláusulas de exclusão transferem indevidamente o ônus para os detentores dos direitos.
As audiências da comissão legislativa australiana seguem agendadas até o dia 9 de outubro, com a entrega do relatório final e das recomendações oficiais prevista para o dia 30 de novembro. O debate evidencia a crescente urgência global por marcos regulatórios mais transparentes e seguros diante do avanço rápido das capacidades autônomas dos sistemas de inteligência artificial.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
