A montadora alemã Volkswagen decidiu reservar a quantia de 725 milhões de libras, o equivalente a cerca de R$ 4,8 bilhões, com o objetivo de cobrir custos decorrentes do escândalo de venda inadequada de financiamentos de veículos. Esta marca o maior valor já registrado individualmente por uma fabricante no âmbito dessa crise, elevando para mais de 1,5 bilhão de euros o impacto financeiro acumulado sobre a indústria automotiva global.
De acordo com a Volkswagen Financial Services, braço financeiro responsável pelas operações da montadora no Reino Unido, a provisão foi oficializada, mas a empresa ressalta que ainda permanece um cenário de incerteza em relação ao desfecho definitivo do programa de compensação que foi estruturado pela FCA, a Autoridade de Conduta Financeira do país.
O escândalo que abala o setor envolve valores multibilionários e teve como principal motivação a cobrança de comissões repassadas de maneira pouco transparente às concessionárias no momento em que os consumidores assinavam contratos de crédito para a aquisição de automóveis.
Outras gigantes do setor automotivo também sentiram os reflexos da crise e realizaram manobras financeiras semelhantes. O braço financeiro da Stellantis elevou sua provisão para 221,3 milhões de libras no final de dezembro, enquanto a BMW Financial Services informou ter separado 611,6 milhões de libras. Já a divisão britânica da Mercedes-Benz reservou aproximadamente 400 milhões de libras para o mesmo propósito.
As divulgações em série acontecem na sequência de uma movimentação da FCA ocorrida em março, quando o órgão regulador apresentou uma versão ajustada de suas diretrizes para um programa de compensação que pode alcançar o patamar de 9,1 bilhões de libras em custos para as instituições financeiras envolvidas.
Atualmente, o programa regulatório enfrenta paralisações parciais em decorrência de disputas judiciais movidas por credores e grupos de defesa do consumidor. Essa batalha nos tribunais acabou por adiar o repasse de bilhões de libras que eram esperados por milhões de britânicos, deixando todo o processo sob risco de revisão profunda ou até mesmo de abandono caso as contestações jurídicas prevaleçam.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
