
Um vigilante lotado na Delegacia da Polícia Federal em Corumbá foi preso nesta quinta-feira (15) durante a Operação Capolinea. Ele é suspeito de vazar dados internos para uma organização criminosa transnacional dedicada ao tráfico de entorpecentes entre a Bolívia e o território brasileiro.
De acordo com as investigações, o funcionário repassava aos criminosos detalhes sobre a rotina da unidade policial, a movimentação de equipes e a situação de presos, além de enviar registros fotográficos de apreensões e documentos oficiais. A apuração também aponta que o suspeito, enteado de um dos líderes do grupo, guardava drogas em sua residência e realizava o transporte de entorpecentes entre os dois países, incluindo a carga interceptada em Três Lagoas.
Estrutura e rota do esquema criminoso
O caso teve início após uma apreensão realizada pela Polícia Rodoviária Federal em 13 de agosto de 2025, na BR-262, em Três Lagoas. Na ocasião, policiais encontraram cerca de 35 quilos de cocaína e 12 quilos de maconha escondidos dentro de pneus estepe de um caminhão Scania/T113.
Para burlar a fiscalização na fronteira, a organização utilizava caminhões carregados de minério de ferro, aproveitando o fluxo constante de cargas na região de Corumbá. Para garantir a passagem dos veículos, o esquema aliciava funcionários de mineradoras, como supervisores e operadores de balança, por meio de pagamentos via Pix.
Alvos e bloqueio de bens
A Operação Capolinea mobiliza cerca de 100 policiais para o cumprimento de 20 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão, sendo 14 preventivos e sete temporários, em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais. Em território sul-mato-grossense, os mandados ocorrem em Campo Grande e Jaraguari.
A Justiça Federal de Corumbá também determinou o bloqueio de bens e valores que totalizam R$ 24 milhões. O principal líder do grupo investigado estaria foragido na Bolívia há cerca de seis anos, e a Justiça autorizou a inclusão de três investigados na Difusão Vermelha da Interpol.
