Últimas notícias
DESTAQUES

Sesau detalha regulação de bebê, mas omite motivos para envio a hospital sem UTI

Secretaria afirmou que pedidos de transferência seguiram fluxos regulatórios, mas não esclareceu escolha por unidade sem suporte intensivo pediátrico.

Compartilhe: WhatsApp Facebook X
Sesau detalha regulação de bebê, mas omite motivos para envio a hospital sem UTI

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) de Campo Grande informou que os pedidos de transferência da bebê Anna Laura, de oito meses, foram encaminhados para análise dos hospitais de referência. A manifestação ocorreu após protesto realizado pela família na terça-feira (20), cobrando esclarecimentos sobre o atendimento que culminou na morte da criança em 11 de outubro.

Regulação e questionamentos

De acordo com a Sesau, os registros demonstram que as solicitações seguiram os fluxos regulatórios e os critérios institucionais aplicáveis. No entanto, a pasta não detalhou quais unidades foram consultadas, se houve recusa de vagas ou os critérios que definiram o envio da menina ao Hospital de Câncer Alfredo Abrão, que não possui UTI pediátrica.

A bebê começou a receber atendimento na madrugada de 7 de outubro na UPA Universitário com sintomas gripais e foi liberada após exames. Na madrugada de 10 de outubro, com febre alta e queda na saturação de oxigênio, a família retornou à unidade, onde a transferência hospitalar foi solicitada e autorizada para o Hospital de Câncer.

Atendimento e óbito

Conforme o prontuário, a criança chegou ao Hospital de Câncer às 15h05 de 10 de outubro com broncopneumonia e insuficiência respiratória aguda. A instituição confirmou que não dispõe de UTI pediátrica, manteve a paciente em leito semi-intensivo e solicitou uma nova transferência às 17h20 para o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul.

No Hospital Regional, a menina foi intubada e levada à terapia intensiva, mas morreu às 4h35 de 11 de outubro. A certidão de óbito aponta como causas insuficiência respiratória, choque séptico, septicemia, pneumonia, coagulação intravascular disseminada e hemorragia das vias respiratórias.

Investigação e denúncias

A mãe da criança, Ana Maria Morel, relatou supostas falhas na administração de medicamentos e no fornecimento de oxigênio. A família registrou boletim de ocorrência na Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), apresentou denúncia ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e conta com o acompanhamento da AVEM (Associação de Vítimas de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul).

Escrito por

Jeder Fabiano