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Trump tenta interferir na eleição brasileira e eficácia preocupa cientista político alemão

Especialista europeu em assuntos brasileiros aponta que o governo de Donald Trump busca influenciar o pleito no Brasil, estratégia que já demonstrou eficácia em países vizinhos da América Latina.

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Trump tenta interferir na eleição brasileira e eficácia preocupa cientista político alemão

O governo de Donald Trump está empreendendo esforços para interferir no processo eleitoral brasileiro, uma estratégia que, conforme o histórico recente da América Latina, frequentemente produz o efeito desejado por Washington. A avaliação foi externada por Peter Birle, renomado especialista europeu em assuntos latino-americanos, durante entrevista concedida a veículos internacionais em Berlim.

Diretor de pesquisa do Instituto Ibero-Americano na capital alemã e avaliador do Brasil pelo índice de democracia BTI, da Fundação Bertelsmann, Birle estabelece um paralelo histórico com o ano de 1946. Naquela ocasião, os Estados Unidos tentaram barrar a ascensão de Juan Perón na Argentina, mas acabaram impulsionando sua eleição. Atualmente, contudo, o cientista político observa que a interferência americana na Argentina obteve sucesso com Javier Milei, enquanto os reflexos no cenário brasileiro ainda permanecem em aberto.

Para o acadêmico alemão, a ofensiva diplomática e econômica desferida por Washington contra o Brasil — que inclui tarifas, sanções e revogação de vistos — representa uma conduta pouco inteligente. Em sua visão, táticas de pressão externa tendem a gerar mais resistência do que resultados construtivos, embora a América Latina viva um momento de forte guinada à direita e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva enfrente dificuldades para recuperar a liderança regional exercida nos anos 2000.

As relações bilaterais entre Brasília e Washington atravessam seu pior momento em décadas, marcadas por retaliações comerciais e atritos políticos abertos. Segundo Birle, o intuito norte-americano é pavimentar o caminho para um eventual retorno da direita ao poder no Brasil, favorecendo candidaturas alinhadas aos seus interesses, a exemplo do que ocorreu no pleito argentino recente, quando a ajuda financeira foi condicionada ao apoio político.

Apesar da forte polarização que ainda caracteriza a disputa eleitoral brasileira, o especialista nota uma mudança de eixo em relação a 2022. Enquanto no pleito anterior a própria sobrevivência democrática era o tema central, a campanha atual é dominada por debates acerca da economia, da segurança pública e do combate ao crime organizado, reflexo de uma percepção pública ambivalente em relação aos avanços socioeconômicos dos últimos anos.

Por fim, Birle faz um alerta sobre os riscos associados a uma possível vitória da ultradireta liderada por Flávio Bolsonaro, ressaltando que a experiência internacional demonstra que as transformações mais profundas e radicais costumam ocorrer justamente nos segundos mandatos. A incerteza em torno da postura do governo norte-americano e o alinhamento transacional exigido por Trump tornam o ambiente geopolítico ainda mais complexo para a diplomacia brasileira.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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