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Ofensiva houthi provoca crise humanitária com 76 mil deslocados e superlotação extrema no Yêmen

Avanço do movimento apoiado pelo Irã no Yêmen força dezenas de milhares a fugirem para Aden, gerando colapso humanitário e falta de suprimentos básicos.

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Ofensiva houthi provoca crise humanitária com 76 mil deslocados e superlotação extrema no Yêmen

A recente ofensiva do movimento houthi no Yêmen desencadeou uma grave crise humanitária, resultando no deslocamento forçado de pelo menos 76 mil pessoas e deixando a cidade de Aden em situação de superlotação extrema. Moradores locais, acuados pela escalada dos confrontos, têm deixado suas residências às pressas em direção à capital provisória, que já sofre com o esgotamento de recursos e infraestrutura precária.

Saddam Ali, pai de onze filhos, precisou amontoar seus pertences e a família em uma caminhonete para escapar da região de al-Waziiyah. Ao chegar a Aden, encontrou um cenário desolador de ruas tomadas por outros refugiados na mesma situação. “Não achamos água nem comida, e o calor é sufocante”, relatou à agência AFP, evidenciando o desespero enfrentado pelos iemenitas que buscam abrigo na cidade.

A cidade de Aden serve como capital provisória desde 2014, ano em que a tomada de Sanaa pelos rebeldes deu início ao conflito armado. Desde então, o município viu sua população duplicar devido à chegada contínua de cidadãos em busca de segurança e oportunidades de trabalho, além de abrigar migrantes africanos que tentam ingressar nas monarquias do Golfo.

Relatos de moradores que escaparam de áreas recém-conquistadas revelam cenas de pânico e urgência. Abdulalim Al-Rajihi, que fugiu de Mokha após a tomada da cidade pelos rebeldes, contou que a população recebeu ultimatos de apenas trinta minutos para evacuar o local. De acordo com testemunhas, famílias inteiras com crianças, mulheres e idosos foram forçadas a abandonar suas casas vestindo apenas a roupa do corpo.

O avanço territorial dos insurgentes marca o fim de um período de relativa trégua que vigorava desde 2022, mergulhando o país novamente em um ciclo de violência intensa. Dados da Organização Internacional para das Migrações indicam que mais de 70 mil pessoas abandonaram seus lares somente no mês de setembro, esgotando os estoques de emergência previamente utilizados para mitigar os impactos de enchentes recentes.

Além da emergência humanitária interna, a captura de posições estratégicas no estreito de Bab el-Mandeb pelos Houthis repercute internacionalmente, gerando preocupações sobre a segurança do comércio marítimo global. A região representa uma passagem fundamental para embarcações que transitam entre o mar Vermelho e o golfo de Áden, conectando rotas comerciais vitais entre a Europa, a Ásia e o Oriente Médio.

Fonte: noticias.uol.com.br

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