Se as graves acusações direcionadas a Flávio Bolsonaro e Alexandre de Moraes forem comprovadas, ambos teriam atuado como cúmplices em um mesmo esquema financeiro. O cenário, embora pareça improvável à primeira vista, coloca no centro das atenções figuras de espectros políticos e institucionais opostos.
Enquanto Flávio Bolsonaro surge como herdeiro político do movimento que abriu portas para o banqueiro Daniel Vorcaro e movimentou recursos bilionários — incluindo fundos de aposentadorias e repasses do Banco Regional de Brasília —, Alexandre de Moraes teria ingressado no escândalo em um momento posterior, quando o banco já enfrentava colapso financeiro.
Segundo as apurações relatadas, o esquema envolvia promessas de quantias milionárias. Flávio Bolsonaro estaria associado a uma promessa de R$ 140 milhões vinculada ao projeto ‘Dark Horse’, enquanto Alexandre de Moraes teria sido alvo de uma promessa de R$ 130 milhões por parte de Vorcaro, em troca de potenciais decisões favoráveis.
A repercussão pública do caso tem gerado reviravoltas na corrida eleitoral de 2026. Com vazamentos atribuídos a André Mendonça, o foco do escândalo recaiu fortemente sobre Alexandre de Moraes, o que acabou impulsionando a figura de Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República.
Especialistas e analistas apontam que a retirada do sigilo do inquérito Master, determinada pelo ministro Edson Fachin, representa uma oportunidade crucial para esclarecer o envolvimento de diferentes atores políticos e candidatos no maior escândalo financeiro da história do país.
Por fim, avalia-se que a existência do caso Master não invalida o trabalho conduzido por Moraes no inquérito voltado aos atos golpistas. Pelo contrário, a situação evidencia a magnitude dos desdobramentos que poderiam ter ocorrido caso as instituições de controle e o judiciário independente tivessem sido enfraquecidos.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
