O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem manifestado insatisfação nos bastidores em relação ao desempenho do ministro da Justiça, Wellington Silva. O chefe do Executivo avalia que a atuação do auxiliar tem sido marcada por inoperância diante de uma crise institucional de proporções inéditas envolvendo o Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal.
Tradicionalmente, a pasta comandada por Silva assume o papel central de fazer a interlocução institucional do governo federal com os órgãos de justiça. Um representante governamental que acompanha de perto o tema relatou que, na visão de Lula, o ministro precisa assumir um papel mais ativo como anteparo político do governo na atual conjuntura.
Em reuniões recentes, o presidente fez menções a ex-ministros de gestões passadas, o que foi interpretado por aliados como um desabafo e um recado direto ao atual ocupante do cargo, considerado excessivamente discreto. Entre os citados esteve Márcio Thomaz Bastos, que comandou a pasta no primeiro mandato presidencial e conduziu uma reforma do Judiciário.
Lula também relembrou a atuação de Ricardo Lewandowski, que esteve à frente do ministério entre 2024 e 2026, ao defender medidas de transparência em inquéritos sensíveis. Outro ponto de atrito apontado por fontes governamentais é a relutância de Wellington Silva em prestar apoio público e enfático ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que goza de prestígio com o Palácio do Planalto.
Apesar das críticas e queixas expressas pelo presidente em conversas reservadas, a substituição do ministro não deve ocorrer de imediato. Lula nutre apreço pessoal por Silva desde os tempos em que ele atuava em funções de assessoria jurídica no Palácio do Planalto, além de ponderar o momento político sensível da campanha eleitoral.
No entanto, analistas políticos e apostas internas indicam que o atual titular não deve permanecer na pasta em um eventual novo mandato presidencial. O próprio Lula já sinaliza a necessidade de buscar um perfil de liderança mais atuante no plano político para conduzir tarefas complexas previstas para o futuro, como uma nova reforma no sistema de Justiça.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
