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Pressão dos EUA faz bancos de desenvolvimento repensarem metas de financiamento climático

Acordo global para disponibilizar US$ 1,3 trilhão em financiamento climático sofre ameaça com a possibilidade de instituições multilaterais seguirem o Banco Mundial e abandonarem metas verdes.

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Pressão dos EUA faz bancos de desenvolvimento repensarem metas de financiamento climático

O acordo estabelecido no âmbito da ONU para disponibilizar US$ 1,3 trilhão em financiamento voltado ao clima encontra-se sob forte ameaça. A expectativa é de que importantes instituições multilaterais de crédito passem a seguir o exemplo do Banco Mundial e abandonem suas metas verdes tradicionais, pressionadas de maneira intensa pelo governo dos Estados Unidos.

Pelo menos dois grandes bancos multilaterais de desenvolvimento — o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD) — iniciaram discussões internas sobre a possibilidade real de eliminar as metas de financiamento climático, conforme relataram fontes familiarizadas com as negociações em curso.

A movimentação ocorre após o anúncio feito pelo Banco Mundial em junho, quando a instituição revelou que aposentaria a meta de destinar 45% de todo o seu financiamento para projetos que gerassem cobenetefícios climáticos. Especialistas no setor alertam que a capitulação dessas entidades frente aos pleitos norte-americanos trará repercussões globais severas.

Sob a gestão do presidente Donald Trump, que classifica as mudanças climáticas como uma farsa, os Estados Unidos intensificaram as exigências para que bancos multilaterais reduzam gradativamente os investimentos verdes. Washington também tem atuado para flexibilizar as restrições ao financiamento de combustíveis fósseis, de acordo com relatos de funcionários do setor.

No caso do BID, principal canal de crédito multilateral para a América Latina e o Caribe, as conversas apontam para forte pressão para abandonar a diretriz de destinar 45% dos recursos ao clima, embora a instituição tenha elevado esse montante em 46% no ano anterior, alcançando US$ 9,95 bilhões. Já o BAD, sediado em Manila, avalia medida semelhante, embora com menor grau de exigências diretas por parte dos americanos.

Representantes de instituições financeiras de desenvolvimento ressaltam que, embora o foco mude para indicadores voltados estritamente a impactos e resultados práticos de resiliência e redução de emissões, a imagem transmitida pelo recuo dessas metas em meio a desastres ambientais globais é avaliada como profundamente negativa por observadores e governos parceiros.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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