Um vídeo que circula amplamente nas redes sociais tem gerado desinformação ao afirmar que mostraria uma suposta “fazenda de robôs” pertencente ao publicitário argentino Fernando Cerimedo, conhecido por suas alianças com a família Bolsonaro e com o presidente da Argentina, Javier Milei. As postagens falsas sugerem que o esquema tecnológico teria sido descoberto na sequência da prisão do marqueteiro ocorrida no mês de agosto.
A apuração realizada pelo projeto de checagem demonstrou que a gravação, na realidade, exibe uma estrutura operacional localizada no Vietnã e totalmente dissociada de Cerimedo. O equívoco teve origem na exibição do material por uma emissora de televisão da Argentina, que posteriormente admitiu o erro e apresentou pedidos de desculpas público pelo equívoco informacional.
O registro audiovisual em questão foi veiculado em 22 de agosto pelo programa jornalístico El Corresponsal, transmitido pela rede de televisão argentina TN. Durante a exibição, a reportagem em espanhol apresentou imagens de dezenas de smartphones interconectados em uma sala, atribuindo erroneamente a propriedade do local ao aliado político.
Em contato com a agência de checagem de fatos argentina Chequeado, a produção do programa televisivo confessou que a inserção das imagens constituiu uma falha editorial. Os responsáveis pelo telejornal explicaram que obtiveram a gravação de um veículo de imprensa da Bolívia, o qual havia publicado o conteúdo sem especificar a verdadeira origem das cenas ou certificar qualquer vínculo com o publicitário investigado.
Paralelamente, vale destacar que investigações conduzidas pela Procuradoria Departamental de La Paz apontaram a existência de recursos financeiros da ordem de US$ 44 mil e de uma estrutura modesta de bots em um endereço ligado a Cerimedo, conforme apontado por autoridades locais. Contudo, os órgãos oficiais esclareceram que nenhuma imagem fotográfica ou em vídeo daquele local específico foi tornada pública pelas autoridades competentes.
Diante da rápida propagação das alegações infundadas, diversos portais e agências internacionais de verificação de fatos desmentiram a veracidade da associação entre o vídeo dos celulares no Vietnã e o publicitário investigado. Mesmo com os desmentidos e a retração da emissora original, publicações contendo o material enganoso acumularam dezenas de milhares de interações e compartilhamentos em plataformas digitais como o Instagram.
Fonte: noticias.uol.com.br
