A divulgação de mais uma edição do Pisa voltou a expor o baixo desempenho dos estudantes brasileiros em avaliações internacionais, reacendendo um ciclo recorrente de frustração. Indicadores educacionais de diferentes frentes continuam a relatar o mesmo diagnóstico de fragilidade na aprendizagem dos jovens no país.
Especialistas apontam que, para promover mudanças profundas na educação, não basta concentrar esforços apenas no lado da oferta escolar; é preciso também estimular e compreender a demanda educacional da população.
Embora existam trajetórias excepcionais de jovens em situação de vulnerabilidade que conseguem alterar suas realidades por meio dos estudos, uma sociedade justa não deve depender de exceções para convencer milhões de que o esforço acadêmico traz recompensas.
Sob a perspectiva econômica, a educação costuma ser tratada como um investimento em capital humano capaz de elevar a produtividade e os salários. No entanto, essa engrenagem só funciona plenamente se as pessoas acreditarem de fato que a dedicação presente resultará em oportunidades no futuro.
Em ambientes marcados por baixa mobilidade social, essa conexão entre estudo e ascensão profissional torna-se difusa. Políticas públicas de ensino encontram barreiras porque, enquanto a escola prega que o saber amplia horizontes, o cotidiano ao redor do estudante envia sinais contrários sobre o teto de suas expectativas.
Dessa forma, a desigualdade social penetra nos muros e nas carteiras escolares através das próprias crenças dos alunos sobre seus futuros. O racismo, as barreiras estruturais e a percepção de limitação de oportunidades acompanham o estudante durante todo o processo de aprendizagem.
O país dedicou décadas a esforças para universalizar o acesso à escola, mas o desafio atual exige garantir que essas crianças encontrem razões concretas para acreditar que o conhecimento adquirido transformará suas posições na sociedade.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
