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Eleitorado brasileiro cresce nos EUA, mas distância e medo do ICE desafiam votação em Nova York

A menos de um mês das eleições, o número de brasileiros aptos a votar nos EUA cresce 45%, mas mudanças de locais e o temor de operações migratórias geram desafios em Nova York.

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Eleitorado brasileiro cresce nos EUA, mas distância e medo do ICE desafiam votação em Nova York

A menos de um mês das eleições presidenciais no Brasil, os Estados Unidos se preparam para receber o maior contingente de eleitores brasileiros fora do país. O número de pessoas aptas a votar em território americano cresceu cerca de 45% desde a última eleição presidencial, refletindo uma expansão significativa da comunidade brasileira no exterior e o esforço de cadastramento da Justiça Eleitoral.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 918,9 mil brasileiros estão aptos a votar no exterior nas eleições de 2026, ante 697,1 mil em 2022. Os Estados Unidos concentram o maior colégio eleitoral brasileiro fora do Brasil, com cerca de 265 mil eleitores registrados, um salto considerável em comparação aos quase 183 mil de quatro anos atrás. Boston lidera o ranking com 53,4 mil eleitores, seguida por Miami e Nova York.

Em Nova York, o eleitorado passou para cerca de 39 mil pessoas. No entanto, a logística sofreu alterações importantes: enquanto em 2022 o pleito ocorreu em Manhattan, o Consulado-Geral do Brasil decidiu transferir a votação para uma instituição de ensino no Queens. O novo endereço fica a cerca de 16 quilômetros da sede consular e não possui acesso direto ao metrô, gerando críticas e preocupação entre eleitores que precisam se deslocar de regiões vizinhas, como Nova Jersey e Filadélfia.

Além da distância, o temor provocado pelo endurecimento das operações de controle de imigração do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), em meio à política migratória do governo Donald Trump, pesou na escolha do novo local. O complexo educacional escolhido permite organizar as filas internamente, evitando aglomerações nas calçadas e reduzindo riscos em uma área com forte presença de imigrantes.

A alta taxa de abstenção histórica também permanece como um obstáculo central. Em 2022, a abstenção entre brasileiros no exterior ultrapassou os 60% em ambos os turnos. Além disso, o pleito passado foi marcado por filas extensas e tensões entre eleitores de diferentes correntes políticas, exigindo reforço policial e barreiras de contenção.

Com um cenário migratório mais restritivo e um colégio eleitoral substancialmente maior, o desafio das autoridades brasileiras em 2026 será duplo: garantir a segurança e a acessibilidade da votação e transformar o crescimento dos registros consulares em participação efetiva nas urnas.

Fonte: g1.globo.com

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