Assumir-se socialista em um Estado de perfil conservador não é tarefa simples, reconhece Lucien Rezende, candidato do PSOL ao Governo de Mato Grosso do Sul. Aos 62 anos e após duas décadas de militância no partido, ele afirma que ainda encontra resistência nas ruas, mas aposta no diálogo para fazer com que suas propostas ultrapassem a bolha da esquerda.
“Não é fácil fazer política em um Estado conservador sendo socialista e do campo da esquerda. Mas temos furado essa bolha, conseguido dialogar e sido muito bem recebidos em vários municípios”, afirmou em entrevista ao Campo Grande News.
Segundo Lucien, a polarização política não está restrita às redes sociais e aparece diretamente nas conversas com os eleitores. Há pessoas, relata, que demonstram simpatia por suas propostas, mas rejeitam determinados candidatos ou partidos ligados ao mesmo campo político. A resistência, conforme o candidato, tem sido maior na periferia de Campo Grande do que em alguns municípios do interior.
Pequeno produtor rural no município de Terenos, Lucien participou da coleta de assinaturas para a criação do PSOL, fundado há 21 anos. Ele nunca foi filiado a outra legenda e compara a construção do partido à criação de um filho, além de ter atuado como secretário municipal durante os quatro anos da gestão do PSOL em Ribas do Rio Pardo.
Entre as prioridades apresentadas está a criação de um programa habitacional voltado para pessoas com mais de 60 anos, argumentando que parte da população idosa chegou à terceira idade sem conseguir comprar a casa própria e precisa de uma mão amiga do Estado para reduzir o déficit habitacional.
Na área da educação, o candidato propõe ampliar o ensino em período integral, equiparar a remuneração dos professores temporários à dos efetivos quando houver a mesma carga de trabalho e funções, além de expandir a UEMS para aproximar o ensino superior e profissionalizante dos jovens do interior do Estado.
No setor econômico e de infraestrutura, Lucien defende a manutenção das estradas vicinais e pontes de madeira, a preparação para o impacto da Rota Bioceânica, o acesso à água potável em assentamentos e a concessão de incentivos fiscais condicionados à instalação de empresas em regiões carentes de oportunidades, acompanhada de qualificação profissional.
Para enfrentar a violência contra as mulheres, ele propõe delegacias especializadas funcionando 24 horas e a concessão de aluguel social por pelo menos um ano para vítimas em situação de vulnerabilidade com agressores. Na segurança pública, o candidato defende o uso de câmeras corporais por policiais, monitoramento por drones nas fronteiras e investimentos em políticas culturais e de lazer nas periferias.
Fonte: www.campograndenews.com.br
