O cantor britânico Ed Sheeran enfrenta o momento mais controverso e delicado de toda a sua trajetória artística. A crise atual foi desencadeada pela decisão de retirar da sua turnê nos Estados Unidos as apresentações de abertura do rapper americano Macklemore, que havia protagonizado uma manifestação pró-Palestina no palco de seus shows.
Conhecido mundialmente como um dos compositores mais bem-sucedidos da história da música, Sheeran já vendeu mais de 120 milhões de discos e passou mais de mil semanas nas paradas de sucesso dos Estados Unidos. Parte de seu apelo junto ao público sempre esteve ligada a uma personalidade simples, cultuada cuidadosamente ao longo dos anos para transmitir uma imagem pública inofensiva e acessível.
No entanto, a tentativa do artista de se manter afastado de debates políticos intensos acabou ruindo após a polêmica envolvendo Macklemore. Na primeira noite da turnê conjunta, o rapper fez um discurso pedindo a libertação da Palestina e exibiu imagens da destruição na Faixa de Gaza. Na noite seguinte, a situação escalou quando ele utilizou o termo genocídio para se referir ao número de mortos no conflito, gerando fortes reações e pressões de proprietários de estádios norte-americanos.
Diante da repercussão e de discussões nos bastidores lideradas por figuras como o bilionário Robert Kraft, Macklemore acabou sendo removido da turnê. Na última terça-feira, Sheeran publicou uma declaração oficial afirmando que a decisão partiu dos promotores do evento e não dele, ressaltando que tentou construir pontes e que prefere não usar sua plataforma profissional para a política visando proteger seu público jovem.
A nota oficial do cantor britânico gerou reações polarizadas e fortes críticas de observadores do setor musical. Críticos apontaram contradições em sua suposta neutralidade política, lembrando que Sheeran já se manifestou publicamente em outras ocasiões, como no uso de uma camiseta com os dizeres ‘Justiça para Grenfell’ em 2018 e em sua participação no Festival pela Ucrânia em 2022.
Como desdobramento imediato da crise, outros artistas que compunham a equipe de apoio e participariam da turnê, incluindo Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda irlandesa Beoga, anunciaram suas desistências em solidariedade a Macklemore. Apesar da turbulência e do abalo em sua imagem de bom moço, analistas do mercado musical avaliam que o episódio dificilmente causará danos duradouros à sua base de fãs fiel.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
