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Investigação aponta que laranjas de esquema de ônibus negociavam fuzis e cocaína

Decisão judicial que embasou operação contra a infiltração do PCC em empresas de transporte revela diálogos de supostos laranjas negociando armamentos e entorpecentes.

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Investigação aponta que laranjas de esquema de ônibus negociavam fuzis e cocaína

A decisão judicial que fundamentou a operação recente contra o avanço do Primeiro Comando da Capital (PCC) sobre o setor de transporte público revelou que supostos laranjas da facção criminosa negociavam armamentos pesados e entorpecentes. De acordo com as investigações, interceptações apontam tratativas envolvendo a compra de fuzis, coletes balísticos e centenas de quilos de pasta-base de cocaína.

O documento judicial ressalta que o procedimento investigativo segue em andamento, não havendo, até o momento, conclusões definitivas ou condenações. Os diálogos sob escrutínio são atribuídos a investigados como Claudionor Aparecido Sabino Tomaz, apontado pelas autoridades como sócio na empresa de ônibus Translider, sediada em Cubatão, atuando na fachada do grupo criminoso.

Em trechos destacados no relatório policial, os suspeitos utilizavam termos cifrados, a exemplo de menções a ‘óleo para produzir ouro branco’ para se referirem aos entorpecentes, além de demonstrarem receio de perderem suas posições na rede de laranjas e sofrerem sanções internas da própria organização.

A operação, batizada de Vectura Corrupta, cumpriu dezenas de mandados de busca e prisão em diversas cidades paulistas. O foco principal da apuração é desarticular o esquema no qual empresas concessionárias de transporte coletivo teriam sido apropriadas pela facção após vencerem licitações públicas, servindo também para a lavagem de dinheiro e o financiamento de campanhas eleitorais.

Entre os alvos da ofensiva policial e judicial está o ex-vereador Milton Leite, apontado pela Justiça como um dos controladores ocultos de empresas do setor e peça central na operacionalização de contratos públicos. A defesa do ex-parlamentar negou veementemente qualquer envolvimento com o crime organizado e informou que ele se apresentaria às autoridades.

A gestão municipal de São Paulo informou a criação de um grupo de trabalho dedicado a analisar e fiscalizar os contratos vigentes com as companhias de ônibus citadas nas investigações, avaliando inclusive a possibilidade de intervenção administrativa nos moldes aplicados em ocasiões anteriores a outras empresas sob suspeita.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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