O presidente Luiz Inácio Lula da Silva bateu o martelo sobre o reajuste dos benefícios do Bolsa Família após uma série de discussões internas influenciadas por um encontro com um grupo de mulheres, realizado há cerca de três semanas. Segundo auxiliares do governo, o petista ouviu relatos de que, apesar de iniciativas direcionadas à ampliação da renda, a população ainda mantinha uma forte percepção de alta no custo de vida.
Esse cenário gerou na cúpula do governo a urgência de acelerar as negociações em torno de um aumento para o Bolsa Família, além de focar em outras frentes consideradas sensíveis, como o controle nos preços dos combustíveis, o endividamento das famílias e a regulação das plataformas de apostas, conhecidas como bets.
O titular do Planalto vinha demonstrando inquietação com os índices de aprovação de sua gestão, que não atingiam patamares mais elevados mesmo após a adoção de medidas econômicas populares. A sensação de que a renda das famílias não é suficiente para o fim do mês passou a ser explorada de maneira intensa pela oposição, refletindo-se no avanço de candidaturas adversárias nas pesquisas de intenção de voto.
O reajuste de 15,04% no programa social foi oficialmente anunciado após trâmites restritos ao alto escalão para evitar vazamentos prévios. Com a medida, assinada pelo presidente, o valor do benefício mínimo passará de R$ 600 para R$ 691, com os novos repasses programados para começar a ser pagos às vésperas do segundo turno das eleições.
A equipe econômica, representada pelo ministro Dario Durigan, defendeu a sustentabilidade fiscal da medida. Segundo a pasta da Fazenda, a recomposição inflacionária foi viabilizada pelo reequilíbrio das contas públicas e pela superação de déficits anteriores, sem comprometer o Orçamento global, sem recorrer a créditos extraordinários e mantendo as metas fiscais planejadas.
Entre as alternativas avaliadas pelo governo antes do martelo final, discutiu-se a aplicação de um modelo linear — que acabou sendo o escolhido por contemplar um volume maior de beneficiários —, bem como correções focadas em valores per capita ou em parcelas complementares para famílias com crianças e gestantes, com o objetivo de mitigar distorções e alcançar um suporte mais direcionado.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
