A recente elevação no volume das águas do rio Tietê, registrada nos dias 13 e 14 de setembro, provocou o acúmulo expressivo de lixo e detritos no Parque de Lavras, localizado no município de Salto, no interior do estado de São Paulo. Registros em vídeo e imagens aéreas obtidos na região evidenciam a alta concentração de resíduos sólidos confinados no interior das dependências da antiga Usina Hidrelétrica de Lavras.
O espaço verde é administrado pelo Consórcio Parque Lavras. Em pronunciamento oficial emitido pela concessionária responsável, foi informado que ainda não há uma definição exata sobre o cronograma de remoção do material acumulado, uma vez que a operação depende de condições técnicas específicas para a retirada segura dos detritos da área histórica.
De acordo com os responsáveis pela administração do parque, os entulhos trazidos pela correnteza encontram-se encharcados, o que torna imprescindível aguardar o processo natural de secagem antes de iniciar qualquer etapa de recolhimento. Somente após essa fase de drenagem e limpeza preliminar é que os resíduos recolhidos serão devidamente transportados para o aterro sanitário municipal de Salto.
Entre os materiais que foram arrastados pela força da cheia e se espalharam pelo complexo encontram-se garrafas plásticas, diversas embalagens descartáveis, latas de alumínio e variados tipos de detritos urbanos que acabam tendo destinação inadequada e descarte irregular ao longo da bacia do rio.
Dados divulgados pela Prefeitura de Salto demonstram que a problemática dos resíduos flutuantes exige esforços contínuos do poder público. Em média, o município retira anualmente cerca de 130 toneladas de lixo que navegam pelas águas do rio Tietê na região, evidenciando o desafio ambiental enfrentado constantemente pela localidade.
A antiga Usina Hidrelétrica de Lavras, cenário afetado pelos detritos, possui mais de um século de relevância histórica para a região. Suas obras de construção tiveram início no ano de 1904, com entrada oficial em funcionamento em 1906. A eletricidade gerada na época supria inicialmente as demandas do município de Itu e, posteriormente, passou a abranger também o abastecimento de Salto.
Desativada em meados de 1956, a área da antiga hidrelétrica foi repassada para a administração da Prefeitura de Salto no ano de 1971. Décadas mais tarde, em 1992, o local foi convertido em parque público, preservando integralmente as estruturas arquitetônicas originais da usina e integrando a rica área verde às margens do rio Tietê, conforme registros de historiadores locais.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
