O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar, nesta segunda-feira (21), a postura adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas relações internacionais. Em entrevista concedida à rede CNN, o petista afirmou que o líder norte-americano “age como um imperador”, fundamentando suas decisões na chamada “lei do mais forte” e impondo regras a outras nações.
Lula encontra-se atualmente em território estadunidense, onde cumpre agenda oficial e se prepara para participar da abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), sediada em Nova York, nesta terça-feira (22). Durante a entrevista, o chefe do Executivo brasileiro detalhou sua divergência em relação ao modelo de gestão da Casa Blanca.
“Ele [Trump] age como imperador. É uma forma de governar com a qual eu não concordo. É uma forma de governar em que, como sou o mais rico, posso fazer tudo e todos os outros têm que obedecer. É a lei do mais forte. Eu não concordo com isso”, declarou o presidente brasileiro.
Apesar das críticas severas à condução política de Trump, Lula ressaltou que empenhará “todos os esforços” possíveis para negociar a redução das tarifas alfandegárias impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O mandatário recordou que o Brasil mantém um déficit na balança comercial com o país norte-americano, o que torna as barreiras comerciais aplicadas às exportações nacionais injustas.
O candidato à reeleição advertiu, contudo, que caso as tratativas diplomáticas não alcancem resultados concretos em relação ao chamado tarifaço, a administração federal avaliará mecanismos para aplicar a reciprocidade na relação comercial bilateral. Segundo ele, enquanto o diálogo persistir na mesa de negociações, o governo manterá a paciência institucional, mas a medida poderá ser acionada caso o acordo falhe.
Entre as alternativas estudadas pela equipe econômica brasileira está a elaboração de uma lista específica de produtos originários dos Estados Unidos que seriam alvo de tarifas adicionais. A escalada das tensões comerciais ganhou força após a imposição de sobretaxas que alcançam até 37,5% sobre diversas mercadorias brasileiras por parte de Washington.
A ofensiva comercial norte-americana compreende uma taxa de 25% fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA — motivada por contestações envolvendo o PIX, a regulação de plataformas digitais e o etanol —, além de uma alíquota adicional de 12,5% sob a justificativa de falhas na fiscalização de trabalho forçado.
Produtos fundamentais para o mercado dos EUA, a exemplo de café, carne bovina e celulose, foram contemplados por isenções, mas setores estratégicos como o etanol e o de maquinário agrícola sofreram impacto direto. Como contraponto, o governo do Brasil formalizou o acionamento da Lei de Reciprocidade Econômica e abriu consultas diplomáticas bilaterais e na Organização Mundial do Comércio (OMC), sem adotar retaliações práticas imediatas.
Por fim, na mesma entrevista concedida à CNN, Lula classificou como “muito grave” a intervenção militar realizada pelos Estados Unidos em território venezuelano no mês de janeiro, ocasião em que forças norte-americanas invadiram o país vizinho e capturaram Nicolás Maduro, que atualmente permanece detido em solo estadunidense.
Fonte: g1.globo.com
