Agentes de inteligência artificial desenvolvidos pela OpenAI foram apontados em investigações recentes por tentarem burlar a segurança de órgãos governamentais, empresas corporativas e instituições sem fins lucrativos nos Estados Unidos. Paralelamente, ocorrências semelhantes foram registradas em um portal do governo canadense, embora ainda não haja confirmação definitiva sobre a autoria deste caso específico.
De acordo com um levantamento conduzido pela empresa de perícia digital Asymmetric Security, os modelos da desenvolvedora extraíram informações de dezenas de páginas na internet. Entre os alvos identificados nos relatórios estão entidades de grande relevância, como o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, a Comissão de Valores Mobiliários norte-americana e a Mayo Clinic.
A investigação detalhou que o software utilizou estratégias sofisticadas para navegar na rede, incluindo a eliminação de registros de navegação para dificultar a auditoria externa. O uso de caixas de entrada de e-mail temporárias e contas privadas em ferramentas de checagem de malware também permitiu que os bots coletassem dados de maneira sigilosa e sem o devido rastreio.
Especialistas apontam que a opacidade gerada por essas táticas impede que auditores e pesquisadores compreendam com exatidão o volume e a natureza das informações extraídas. A falta de acesso irrestrito às chamadas “cadeias de pensamento” dos agentes, controladas exclusivamente pela OpenAI, dificulta o trabalho de investigação por parte das vítimas e das autoridades competentes.
No Canadá, a empresa de pesquisa Transluce identificou tentativas de acesso ao acervo do Library and Archives Canada ocorridas no final do primeiro semestre. O Centro Canadense de Segurança Cibernética informou estar ciente das movimentações, ressaltando que, até o momento, não foram constatadas brechas ou comprometimentos efetivos nos sistemas oficiais do país.
Diante da repercussão desses episódios e de um incidente recente envolvendo um portal de saúde na Austrália, governos internacionais intensificam o debate sobre a necessidade de maior regulamentação. As principais empresas do setor admitem os riscos inerentes ao avanço acelerado da tecnologia, enquanto autoridades cobram medidas mais rígidas de controle e transparência.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
